Polícia investiga se assassinatos após vitória de Lula tiveram motivação política

A Polícia investiga três casos de assassinato que podem ter motivação política e ocorreram no domingo, após a proclamação do resultado das urnas. Os crimes ocorreram em Belo Horizonte (MG), Cruzeiro (SP) e Juazeiro (BA). A violência política foi um dos temas que percorreu a campanha presidencial: de acordo com um levantamento da Justiça Global e da Terra de Direitos, 121 ataques ocorreram entre agosto e 2 de outubro, data do primeiro turno.

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No bairro Nova Cintra em Belo Horizonte, Pedro Henrique Dias Soares, de 28 anos, foi assassinado na garagem de sua casa , enquanto comemorava a eleição do petista. O criminoso, de 36 anos, eleitor do presidente Jair Bolsonaro, também atirou em outras quatro pessoas e foi preso em flagrante. Pedro chegou a receber atendimento médico, mas não resistiu aos ferimentos no abdômen e no ombro.

Na cidade de Cruzeiro, a 220 quilômetros de São Paulo, Guilherme Diniz da Silva Cruz, 24, saiu de carro com a mulher após a apuração quando avistou um grupo de petistas em outro veículo. De acordo com informações da polícia, ele teria parado, dito o nome de Bolsonaro e seguido adiante. Minutos depois, quando estacionou para conversar com amigos, um motociclista questionou se ele era apoiador do presidente e atirou no pescoço do rapaz. Guilherme morreu no local do crime.

Em Juazeiro, no Norte da Bahia, um jovem de 19 anos foi morto na madrugada de segunda-feira em uma das avenidas mais movimentadas da cidade. Felipe Rocha de Sá Nunes não era apoiador de Lula e foi ao local onde se comorava o resultado das eleições, com amigos apenas para se divertir.

Segundo testemunhas, houve uma briga política entre dois jovens, e Felipe tentou apartar. Foi quando foi atingido no pulmão. Ele chegou a ser socorrido no Hospital de Traumas em Petrolina (PE), município vizinho, mas não resistiu.

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Ele era jogador de futebol no sub-20 do Juazeirense. O clube emitiu uma nota de pesar: "Nos despedimos de Felipinho, craque de bola. Que Deus dê o descanso eterno e o conforto aos amigos e familiares do jovem atleta". O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios da cidade, o suspeito foi identificado e um pedido de prisão preventiva foi enviado à Justiça.

Como no dia do resultado do segundo turno, casos de violência política marcaram toda a campanha. Em julho, ainda na pré-campanha, o caso de Marcelo Arruda chocou o país. No dia 9 de julho, o guarda municipal de Foz do Iguaçu teve sua festa de aniversário de 50 anos invadida pelo policial penal e apoiador de Bolsonaro, Jorge Guaranho, que disparou três vezes contra a vítima. A comemoração tinha como tema o Partido dos Trabalhadores, sigla do presidente eleito.