Polícia investiga se PM reformado, suposto segurança de Rogério de Andrade, teria encomendado a morte de Fernando Iggnácio

O Globo
·2 minuto de leitura

RIO — Após identificar quatro homens que teriam armado a emboscada contra o contraventor Fernando Iggnácio, executado em novembro do ano passado numa empresa de táxi aéreo no Recreio dos Bandeirantes, a Polícia Civil agora investiga se um policial militar reformado, identificado como Márcio Araújo de Souza, teria sido o mandante do crime, de acordo com informações obtidas pelo RJ2, da TV Globo. Araújo é tido pelos investigadores como um dos principais seguranças do bicheiro Rogério de Andrade, sobrinho de Castor de Andrade, e antigo rival de Iggnácio.

Os investigadores da Delegacia de Homicídios da Capital acreditam na possibilidade de o PM reformado ter contratado para a execução de Iggnácio os quatro matadores de aluguel, que teriam planejado o crime e ficado de tocaia ao lado do heliporto na Zona Oeste. Um deles, o cabo Rodrigo Silva das Neves, conhecido como Cabo das Neves, foi preso no mês passado, na Bahia. O PM de São Paulo Otto Samuel D'Onofre Andrade Silva Cordeiro, o ex-PM Pedro Emanuel D'Onofre Andrade Silva Cordeiro, irmão de Otto, e Ygor Rodrigues Santos da Cruz, conhecido como farofa, continuam foragidos, e há suspeitas de que possam ter fugido para o Paraguai.

Márcio Araújo teve sua prisão decretada pela 1ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio há uma semana e, neste momento, é considerado foragido. Recentemente, inclusive, há cerca de um mês, a Polícia Civil já havia cumprido um mandado de busca e apreensão contra ele. Araújo chegou a ser ouvido pelos policiais e teria dito não conhecer nem Rogério de Andrade, nem os quatro suspeitos da execução. A primeira informação foi facilmente desmentida por uma câmera de segurança de um hospital na Barra da Tijuca, onde Rogério de Andrade esteve em setembro de 2017, após ter sofrido um suposto atentado, quando dirigia ao lado da mulher. O PM reformado aparece nas imagens, logo atrás do contraventor, de blusa social e calça preta. Ele também aparece entrando e saindo do carro de Andrade. Os policiais também dizem, nas investigações, ter indícios suficientes da ligação entre o novo suspeito e os outros acusados, supostos pistoleiros.

Novas pistas na investigação da DH também dão conta de que, doze dias antes do atentado, Ygor Rodrigues, um dos supostos pistoleiros, alugou um helicóptero para viajar com a família, no mesmo local onde o crime aconteceria. Pedro Emannuel D'Onofre, segundo as apurações, esteve no heliponto um dia depois de Fernando Iggnácio ter embarcado para Angra dos Reis — ele contratou um voo panorâmico pelo Pão de Açucar, mas os policiais acreditam que sua intenção era saber exatamente o local onde Iggnácio havia estacionado o carro. Exatamente onde a execução aconteceria.