Polícia investiga suposto desaparecimento de bebê após cesárea em maternidade pública do Rio

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RIO — Policiais da 17ª DP (São Cristóvão) investigam o suposto sumiço de um recém-nascido na Hospital Maternidade Municipal Fernando Magalhães, na Zona Norte do Rio. Uma dona de casa, de 28 anos, alega que estava grávida de gêmeas, mas só recebeu um bebê após a cesárea à qual foi submetida na unidade de saúde, na manhã de 19 de outubro. Os médicos teriam-lhe explicado que se tratava da chamada gravidez gemelar fantasma, com o nascimento de uma única criança, ou que o segundo filho seria, na verdade, apenas o reflexo do líquido amniótico de um único feto.

De acordo com delegado Márcio Esteves, titular da 17ª DP, Ingrid Valeria Santos de Oliveira procurou a delegacia, no último dia 22, contando ter realizado todos os exames de pré-natal com profissionais da Clínica da Família Estivadores, no mesmo bairro. O acompanhamento, segundo a dona de casa, teria comprovado, durante a 23ª semana de gestação, que ela estava esperando duas meninas, com saco embrionário único.

— Meu psicológico está abalado, estou mal porque me preparei para ser mãe de duas meninas, a partir do momento que recebi a notícia de que estava gerando gêmeos. Acredito que me levaram uma das minhas filhas — disse a dona de casa, em entrevista ao GLOBO.

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No dia 18 de outubro, quando estava grávida de 38 semanas, Ingrid diz ter sido orientada a se internar no Fernando Magalhães para realizar a cesárea. Na unidade, teria feito exames para monitorar os batimentos cardíacos dos bebês. No dia seguinte, Sarah nasceu às 10h27, com 50 centímetros e 3.187 quilos. Já Laura, nome escolhido para a segunda criança, não foi entregue aos pais:

— Antes do parto, as médicas disseram que minhas duas meninas estavam sentadas e saudáveis, aguardando o momento do nascimento. Mas, logo depois, me orientaram a procurar um psicólogo e falaram que os exames se confundiram e que a segunda criança era um reflexo da primeira.

Márcio Esteves informou que intimou as médicas responsáveis pelo pré-natal e também pelo parto de Ingrid para prestar esclarecimentos na distrital. Já os exames das duas unidades de saúde serão encaminhados para uma perícia indireta no Instituto Médico-Legal (IML), que deve atestar a quantidade de fetos gerados por Ingrid.

Procurada pelo GLOBO, a Secretaria Municipal de Saúde informou que abriu uma sindicância para apurar o caso. Em nota, a direção do Hospital Maternidade Fernando Magalhães disse que está à disposição dos familiares.

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