Polícia identifica oito suspeitos e já sabe que mais pessoas participaram das mortes de Bruno e Dom

As investigações policiais acerca dos assassinatos do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips já chegaram a pelo menos oito pessoas suspeitas de participação no crime, cometido há duas semanas, em área próxima à terra indígena do Vale do Javari (AM), de acordo com a Polícia Federal.

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Três dos suspeitos, Amarildo da Costa Oliveira, conhecido como Pelado – que confessou o crime –, Oseney da Costa Oliveira, o Dos Santos, e Jeferson da Silva Lima, o Peladinho ou Pelado da Dinha – que assumiu ter participado, mas negou que tenha feito disparos –, já estão presos. Ao ser detido, o último já tinha afirmado aos policiais que "havia mais gente envolvida", conforme informações obtidas pelo GLOBO.

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A suspeita da polícia é de que os cinco novos identificados tenham ajudado os executores a esconderem os corpos, em área de difícil acesso e à qual a Polícia Federal só conseguiu chegar porque foi guiada pelo assassino confesso, Amarildo. Lá, eles encontraram restos mortais enterrados que, após exames genéticos feitos em Brasília, foram confirmados como sendo de Bruno e Dom.

Mais pessoas envolvidas

Apesar dos oito nomes já mapeados pelos investigadores, o delegado Alex Perez, titular da 50ª Delegacia Interativa de Polícia (DIP) de Atalaia do Norte, revelou à reportagem que as investigações apontam que ainda mais de oito pessoas tenham participado da ocultação dos corpos e que, portanto, os investigadores trabalham para identificar ainda mais suspeitos.

Segundo a polícia, Amarildo confessou ser o executor do crime e Oseney se reservou ao direito de permanecer em silêncio. Eles são irmãos. Já Jeferson está envolvido na ocultação dos cadáveres.

'Munição de caça'

A perícia feita no que os policiais chamaram de "remanescentes humanos" também revelou alguns detalhes sobre a brutalidade do crime. Bruno levou pelo menos três tiros, sendo um na cabeça e dois na região do tórax. Dom também foi baleado ao menos uma vez na região torácica. A munição utilizada pelos bandidos era típica de caça, segundo o laudo de PF.

As investigações seguem em sigilo e a polícia ainda não revela quais são as principais linhas de investigação acerca da motivação para o crime, apesar de os agentes já terem afirmado que não há indícios de que tenha havido ordem de um mandante para que Bruno e Dom fossem executados.

No entanto, sabe-se que a pesca ilegal e o tráfico de drogas são braços do crime organizado que atuam naquela região, por muitas vezes invadindo os limites pertencentes à terra indígena. Bruno Pereira dedicava a vida a denunciar e ajudar a coibir as práticas, em defesa dos indígenas.

A PF afirma que "as investigações continuam no sentido de esclarecer todas as circunstâncias, os motivos e os envolvidos no caso", e que "os trabalhos dos peritos do Instituto Nacional de Criminalística continuam em andamento para completa identificação dos remanescentes humanos e compreensão da dinâmica dos eventos".

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