Polícia de Londres fica na mira da opinião pública após ataque a vigília por mulher assassinada

Ben Makori e William James
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Por Ben Makori e William James

LONDRES (Reuters) - A polícia de Londres enfrentou a desconfiança da opinião pública e será alvo de um inquérito oficial após usar táticas violentas para interromper uma vigília ao ar livre que homenageava uma mulher cujo suposto assassino é um policial.

O desaparecimento de Sarah Everard, de 33 anos, enquanto voltava para casa na noite do dia 3 de março, provocou uma enorme onda de pesar e consternação no Reino Unido em meio ao fracasso da polícia e da sociedade em geral em lidar com a violência contra as mulheres.

A polícia negou a permissão para a vigília na noite de sábado em Clapham Common, Londres, perto de onde Everard foi vista viva pela última vez, citando regras que tentam prevenir a disseminação do coronavírus.

Mas centenas de pessoas, a maioria mulheres, se reuniram pacificamente no parque desafiando a proibição e prestaram tributos a Everard durante o sábado, entre elas Kate Middleton, a duquesa de Cambridge.

Mais tarde, no sábado, dezenas de policiais atravessaram a multidão em meio a gritos de "vergonha". Foram registradas brigas e policiais arrastando mulheres para longe da vigília.

"Ontem à noite as pessoas estavam muito, muito irritadas e havia uma grande comoção, de forma completamente compreensível. E a polícia, sendo independente do ponto de vista operacional, terá que explicar suas ações ao Ministro do Interior", disse a ministra da Proteção Social, Victoria Atkins, à TV.

A chefe da polícia de Londres, Cressida Dick, mostrou apoio aos seus oficiais e disse que eles precisaram fazer um julgamento muito difícil.

"Ainda estamos em uma pandemia, reuniões ilegais são reuniões ilegais e os oficiais precisam agir se as pessoas estão se colocando em grande risco", disse Dick a jornalistas.

Questionada se estava pensando em entregar o cargo, ela disse: "Não, não estou."

A ministra do Interior, Priti Patel, encarregada do policiamento, descreveu as imagens do incidente como "perturbadoras". Seu gabinete disse que ela ordenou um inquérito independente depois que um primeiro relatório policial deixou algumas perguntas sem resposta.

O prefeito de Londres, Sadiq Khan, também disse não estar satisfeito com a explicação dos chefes de polícia sobre os eventos e disse que a conduta dos policiais deve ser examinada.

"MULHERES NÃO SE SENTEM SEGURAS"

Uma imagem de policiais algemando uma mulher na noite do sábado enquanto ela estava deitada no chão foi amplamente compartilhada e condenada nas redes sociais.

A mulher, Patsy Stevenson, disse à rádio LBC: "O ponto principal que todas tentavam transmitir enquanto tudo aquilo acontecia é que as mulheres não se sentem seguras, não se sentem seguras ao andar no meio da rua e esse é o mínimo que devemos ter a liberdade de fazer."

Ela disse que foi multada em 200 libras (cerca de 278 dólares) por violar as leis de isolamento contra a Covid.

O assassinato de Everard ressoou entre mulheres de todo o país, levando milhares delas a compartilhar nas redes sociais suas experiências de violência e agressões sexuais perpetradas por homens e a descrever vividamente o medo diário que sentem.