Polícia Militar defende ação no Salgueiro, que terminou com dez mortos: 'necessária', diz porta-voz

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RIO — Após dias de tiroteios que deixou ao menos dez suspeitos mortos, a Polícia Militar considera que a ação do Batalhão de Operações Especiais (BOPE) no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, cumpriu seu objetivo de cessar fogo. Segundo o tenente-coronel Ivan Blaz, porta-voz da corporação, o Bope foi acionado logo após do sargento da PM Leandro Rumbelsperger da Silva, de 40 anos, ser assassinado, durante um patrulhamento no Complexo do Salgueiro. A escolha do grupamento se deu pela região de mata onde ocorria os confrontos, além do abalo emocional da tropa do 7º Batalhão (São Gonçalo) que havia perdido um colega.

— Foi uma ação necessária. Quando a topa convencional não consegue resolver aquela questão, há necessidade de acionar uma tropa de operações especiais. No caso o Bope foi a tropa adequada naquele momento e terreno. Tinha a tropa do 7º Batalhão lidando com a morte de um companheiro de trabalho e emocionalmente envolvida. Então foram retirados totalmente do terreno para que outra tropa, mais habilitada para o confronto em área de mata fosse empregada.

A corregedoria da PM abriu um procedimento para investigar se houve algum desvio cometido pelos militares durante a ação. Agentes da corregedoria acompanham os trabalhos da perícia na favela, nesta segunda-feira. Moradores relatam haver marcas de tortura e ferimento a faca nos corpos dos mortos. A PM classificou essas informações como “especulação”.

— Não é a primeira vez que resultados que saltam os olhos suscitam esse tipo de especulação. Já tivemos operações na Maré, Jacarezinho e após o resultado com grande número de mortos alguém joga nas redes sociais essas acusações de tortura e ferimentos a faca. Para que tudo seja feito de forma transparente, a PM colocou a corregedoria no caso, após uma determinação direta do secretário. Estamos concedendo os recursos para a DH fazer o processo de investigação, além da perícia. É a perícia que sustentará a versão apresentada pelos policiais — defende Blaz.

Questionado sobre a investigação da Polícia Civil, que apurará se houve algum erro dos policiais em não acionar a Delegacia de Hominídios após os contfrontos, a PM diz que fez um registro ainda na noite deste domingo na 72ª DP (São Gonçalo) e que os secretários das pastas se comunicaram sobre a ação durante a ação do Bope:

— O que posso precisar é que os secretários de Polícia Civil e de Polícia Militar estavam se falando. Presumo que o Bope não tinha informações de mortos e feridos. Entrar na delegacia para apenas dizer haver uma possibilidade, não é algo legalmente previsto. Todas as informações foram passadas a 72ªDP, onde o Bope registrou a primeira ocorrência ontem a noite, onde foi registrada a primeira morte também por orientação da delegacia — afirmou o porta-voz.

A polícia diz que o confronto se iniciou logo na chegada da tropa, próximo à região de mata, o que impossibilitou também os militares saberem se haviam mortos ou feridos decorrentes do tiroteio. Segundo Blaz, ao menos quatro policiais do Bope ficaram levemente feridos a ação.

— O confronto foi muito intenso e era presumível que homens tivessem morrido ou ficado feridos. Por experiência própria de outros confrontos já verificamos que criminosos feridos em área de mata buscam abrigamento em outras regiões porque não consegue fugir do cerco policia. E uma vez feridos, podem morrer no local. Porém, não dava para o Bope avançar com o cair da noite e mata adentro para poder identificar os pontos em que esses feridos estavam. Quando você tem o cessar-fogo, você tem um primeiro objetivo estabelecido atingido — diz Blaz

O 7º Batalhão (São Gonçalo) realzia diversas operações nas comunidades do Complexo do Salgueiro desde junho para ocupar o território e tentar diminuir os índices de criminalidade na região, principalmente o roubo de carga e de veículos. O conjunto de favelas é localizado às margens da Rodovia Rio-Manilha (BR-101). Segundo investigações da Polícia Civil, é da comunidade que costumam partir carros ocupados por traficantes que realizam assaltos contra motoristas de automóveis e ainda veículos de carga. Atualmente, o Complexo do Salgueiro é controlado pelo traficante Antônio Hilário Ferreira, o Rabicó ou Coroa.

A Polícia afirma que as ações realizadas no Salgueiro cumprem a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a “excepcionalidade” e que houve a comunicação ao Ministério Público

— O Ministério Público se manifestou que já tinha ciência sobre a ação do 7º Batalhão. Todas as ações realizadas pela Polícia Militar são avisadas ao MP. Temos uma plataforma online para realizar a comunicação em tempo real. Esse desencadear se aplica bem no aspecto da excepcionalidade definido pelo Ministro Edson Fachin, do Supremo. Quando o risco de morte se apresenta, é fundamental que a gente tenha uma intervenção policial no terreno. O objetivo dessas ocupações na região para reduzir o enfrentamento e impedir que os criminosos invistam nas guerras de facções — disse Blaz.

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