Polícia norte-irlandesa investiga agressões em instituições femininas geridas por religiosos

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A polícia da Irlanda do Norte abriu uma investigação sobre acusações de agressões físicas e sexuais em instituições femininas administradas pelas Igrejas católica e protestante (AFP/FRANCOIS GUILLOT)

A polícia da Irlanda do Norte abriu uma investigação nesta quarta-feira (6) sobre acusações de agressões físicas e sexuais em instituições femininas administradas pelas Igrejas católica e protestante, nas quais milhares de mulheres solteiras foram isoladas da sociedade por décadas.

Esta investigação já tinha sido solicitada terça-feira por um grupo de peritos do governo da província britânica da Irlanda do Norte, vários meses após a publicação de um relatório que alertava o público para o assunto.

Agentes especialmente treinados "irão investigar as antigas alegações de agressões físicas e sexuais sofridas pelas residentes", explicou o comissário Anthony McNallu em um comunicado, lembrando que "qualquer infração detectada seria objeto de uma investigação completa".

Entre 1992 e 1990, 14.000 mulheres e adolescentes, algumas com apenas 12 anos, estavam nessas instituições na Irlanda do Norte, uma pesquisa conduzida a pedido do executivo regional revelou em janeiro.

Entre elas estavam 10.500 mulheres, incluindo vítimas de estupro, que foram colocadas em instituições para mães solteiras, onde deram à luz e tiveram que entregar seus filhos para adoção.

Essas mulheres, estigmatizadas pelo dogma católico por engravidar fora do casamento, deram à luz "em condições frias e punitivas", segundo o relatório.

Também internaram cerca de 3.000 mulheres nas "lavandarias de Madalena", estabelecimentos muito austeros onde estas mulheres "renegadas" pela Igreja tiveram de trabalhar para se redimir dos seus pecados.

Na vizinha Irlanda, 56.000 mulheres solteiras e 57.000 crianças passaram por essas instituições em 76 anos.

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