Polícia ouve testemunhas e investiga motivação de feminicídio de juíza no Rio

Carolina Heringer
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Foto: Reprodução

Quatro testemunhas foram ouvidas nessa segunda-feira na Delegacia de Homicídios da capital, na Barra da Tijuca, no inquérito sobre a morte da juíza de Direito Viviane Vieira do Amaral, de 45 anos. A Polícia Civil ainda tenta esclarecer a motivação do feminicídio, ocorrido no último dia 24, véspera de Natal. Ex-marido de Viviane, o engenheiro Paulo José Arronenzi foi preso em flagrante, acusado de tê-la matado a facadas na frente das três filhas do casal, que têm entre 7 e 9 anos.

As informações iniciais apuradas pela polícia indicam que Paulo José cometeu o crime por não se conformar com o fim do relacionamento com Viviane. Casados por 11 anos, eles se separaram em agosto de 2020. Agora, os investigadores tentam esclarecer, por exemplo, se houve algum desentendimento entre a vítima e o acusado às vésperas do assassinato, ou mesmo se Paulo fez ameaças à ex-mulher antes do crime.

As testemunhas ouvidas nessa segunda conviviam com o Viviane e Paulo. Nesta terça-feira, familiares da juíza devem ser ouvidos. Os investigadores também ainda procuram pela faca usada no crime, que ainda não foi encontrada. Ao ser preso por dois guardas municipais que foram acionados por populares, o engenheiro chegou a ser questionado sobre a arma do crime, mas alegou não saber onde ela estava. Os agentes fizeram buscas no entorno de onde ocorreu o crime, já que Paulo não saiu do local até a chegada dos guardas. O objeto, no entanto, não foi achado.

Em uma mochila apreendida com Paulo José havia outras três facas, todas de cabos pretos. No entanto, a perícia concluiu que nenhuma delas foi usada no crime. O laudo cadavérico de Viviane revelou que a juíza levou 16 facadas, quatro delas na cabeça. A vítima também foi atingida nas costas e no antebraço esquerdo ao tentar se defender.

Procurado pelo EXTRA, o advogado Igor de Carvalho, que defende Paulo José, afirmou que ainda não teve acesso ao inquérito na íntegra e nem teve oportunidade de conversar com seu cliente mais detalhamente sobre os fatos. Por isso, preferiu não se posicionar sobre as acusações contra Paulo José.

Mensagem para as amigas

Viviane foi morta enquanto entregava as filhas para passar a noite de Natal com o pai. A juíza chegou a comprar presentes para as crianças entregarem. ao ex-marido. Havia, um mês atrás, dispensado uma escolta cedida pelo Tribunal de Justiça do Rio para protegê-la de Paulo José, que a ameaçou de morte em setembro, após empurrá-la. O engenheiro está preso em Bangu 8, no Complexo de Gericinó, Zona Oeste do Rio.