Incidentes na fronteira entre Gaza e Israel deixam 5 palestinos mortos

Cidade de Gaza, 30 mar (EFE).- Os incidentes e enfrentamentos registrados na fronteira entre a Faixa de Gaza e Israel na manhã desta sexta-feira, no protesto denominado Grande Marcha do Retorno, convocado pelo Hamas por ocasião do Dia da Terra, resultaram na morte de cinco palestinos e deixaram outros 356 feridos.

Cerca de 17 mil pessoas se aproximaram da cerca divisória em cinco pontos da Faixa de Gaza, e o exército israelense respondeu com bombas de gás lacrimogêneo e outros meios de dispersão, e também com munição real contra os que se aproximam da cerca além do permitido.

Segundo confirmou à Agência Efe o porta-voz do Ministério da Saúde do Hamas em Gaza, Ashraf al Qedra, soldados israelenses atiraram durante a manhã contra dois camponeses que transitavam em suas terras perto da fronteira no sudeste da cidade de Khan Yunis, sendo que um deles, de 27 anos, morreu e o outro ficou ferido.

Mais tarde, após o início das manifestações que reuniram milhares de pessoas que seguiram a pé rumo a seis pontos da fronteira, outros quatro palestinos morreram e 356 ficaram feridos por fogo israelense em confrontos violentos, segundo Qedra.

Um deles morreu no leste de Jabalya, no norte da Faixa, ao receber um disparo no abdômen, enquanto outros dois perderam a vida a leste de Rafah, no sul de Gaza, por disparos na cabeça. A quarta vítima, de 16 anos, também morreu ao ser atingida por disparos no norte do território no início da tarde.

Segundo relataram à Efe algumas testemunhas, vários jovens palestinos atiraram pedras contra soldados israelenses, que responderam com gás lacrimogêneo para dispersar os milhares de homens, mulheres e crianças que compareceram a seis pontos da divisa com bandeiras palestinas em resposta ao chamado do movimento Hamas para uma participação maciça nas marchas de hoje.

O evento de protesto coincide com o Dia da Terra, no qual os palestinos lembram a morte de seis árabes-israelenses na Galileia, no norte de Israel, em 1976 em protestos contra o confisco de terras.

O movimento islamita Hamas pediu à população de Gaza que fizesse um protesto sentado e com acampamentos até 15 de maio, dia da Nakba (Catástrofe), no qual os palestinos lembram o êxodo provocado pela criação de Israel em 1948.

O exército israelense afirmou em comunicado que "17 mil palestinos se manifestam violentamente em cinco localidades diferentes da Faixa de Gaza. Os manifestantes estão atirando pneus incendiados, coquetéis molotov e pedras contra a cerca de segurança", enquanto as tropas do exército "respondem co meios de dispersão e atirando contra os principais instigadores".

"Com um reforço em suas tropas, o exército israelense está preparado para responder às manifestações violentas programadas em toda a Faixa de Gaza, se for necessário" diz a nota, na qual as forças israelenses acrescentaram que "a organização terrorista Hamas põe em risco as vidas das pessoas de Gaza e as utiliza par camuflar suas atividades terroristas". EFE