Polícia do Pará suspeita de brigadistas atuarem antes de bombeiros, mas quartel fica a 30km de distância

Bruno Alfano e Johanns Eller
Imagens aéreas de uma das áreas afetadas pelas chamas em Alter do Chão, no Pará

RIO — Apontados como suspeitos por chegarem primeiro aos incêndios, os brigadistas de Alter do Chão, no Pará, presos na última segunda-feira atuam em uma área em que o quartel mais próximo dos Bombeiros fica em Santarém, a 30km de distância.

"Com base nos termos dos depoimentos colhidos, viu-se a imperiosa necessidade de prosseguimento nas investigações, uma vez que alguns fatos ocorridos necessitavam de melhor elucidação como o fato de os integrantes da Brigada serem os primeiros a chegarem ao local das queimadas, além disso, toda a divulgação exagerada feita por estes em relação ao evento ficando presumida a intenção da promoção da Brigada de Alter do Chão", afirma o pedido de prisão do grupo.

— Além deles morarem mais perto de onde os incêndios acontecem, as pessoas mandam mensagens avisando de queimadas para eles — afirma Michel Durans, advogado de Daniel e Marcelo.

O próprio pedido de prisão preventiva da polícia, a qual O GLOBO teve acesso, registra a chamada de uma moradora do local para que os brigadistas apagassem o fogo em uma caçamba de lixo. O representante nega ajuda alegando que só atuam em fogo na mata.

João Victor Pereira Romano, Daniel Gutierrez Govino, Marcelo Aron Cwerner (diretor, vice e tesoureiro da ONG Aquífero Alter do Chão) e Gustavo de Almeira Fernandes (diretor de logística da ONG Saúde e Alegria, que atua há 32 anos na região) foram acusados de dano direto à unidade de conservação e associação criminosa.

Eles foram presos na última segunda-feira. Um dia depois, passaram por uma audiência de custódia e o juiz Alexandre Rizzi confirmou a prisão preventiva do grupo.