Polícia prende 2 pessoas por execução de chacina de trabalhadores rurais em Mato Grosso

CUIABÁ (Reuters) - Duas pessoas foram presas pela Polícia Civil como executoras da chacina de nove trabalhadores na área da Amazônia de Mato Grosso, em um momento em que volta o debate sobre conflitos históricos no campo no Estado, cujo território tem economia lastreada no agronegócio e ecossistemas únicos.

Os assassinatos ocorreram dia 19 de abril na comunidade de Taquaruçu do Norte, município de Colniza, a 1.065 Km no noroeste de Cuiabá, na divisa com Rondônia. A cidade sempre é apontada como área de desmatamento e índice alto de violência.

“A motivação do crime foi a exploração ilegal de madeira e minério”, disse a jornalistas o secretário de Segurança Pública, delegado Rogers Jarbas.

A polícia trabalha com a suspeita de que um dos mandantes seja proprietário de uma madeireira. Ele teve prisão temporária decretada e seu advogado negocia sua apresentação à polícia. Ao todo, as investigações identificaram quatro pessoas executoras dos crimes, das quais duas foram presas e uma está foragida.

O secretário de Segurança Pública, confirma que “há conflito agrário em vários locais de Mato Grosso”, mas disse que o governo tem agido com repressão para evitar crimes. 

A constatação é reforçada por dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e pelo Fórum Estadual dos Direitos Humanos e da Terra. O documento “Cadernos Conflitos no Campo 2017", da CPT, lançado em abril, aponta que houve 272 casos de pistolagem no Estado e 775 famílias foram despejadas de suas áreas em 2016.

(Por Jonas da Silva)