Polícia prende acusado de aplicar golpe em família que busca por motorista de aplicativo desaparecido

A Polícia Civil prendeu em flagrante nesta quarta-feira Leandro Alan Broines Master por estelionato. Ele é acusado de aplicar um golpe na família do motorista de aplicativo Edenilson de Souza. Segundo a investigação da Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo, o suspeito enviou uma mensagem para parentes do desaparecido dizendo que o tinha encontrado na favela do Salgueiro, em São Gonçalo, mas que precisaria de certa quantia em dinheiro para que pudesse abastecer o seu veículo e levá-lo até sua família.

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Edenilson Bernardo Pereira de Souza, de 68 anos, saiu de casa no bairro Santa Rosa, em Icaraí, por volta de 6h para trabalhar, como de costume, e não foi mais visto. De acordo com parentes, o motorista, que dirigia um Nissan Versa prata sem insulfilme, havia aceitado uma corrida em São Gonçalo, no bairro Vista Alegre, quando desapareceu.

Um familiar do motorista realizou a transferência, mas não obteve mais qualquer resposta de Leandro Broines. Segundo a DHSGN, que investiga também o desaparecimento, não há indícios que o preso esteja ligado ao sumiço de Edenilson de Souza.

Qualquer informação que possa levar ao paradeiro de Edenilson pode ser encaminhada ao WhatsApp do Setor de Busca de Paradeiros da delegacia pelo número (21) 2717-2949.

'Medo de que meu pai esteja morto'

A veterinária Daniela Velzi, uma das filhas de Edenilson, contou que o pai trabalha como motorista de aplicativo há quatro anos. E que nesse tempo nunca havia acontecido nada com ele. Ela explicou que o idoso tinha o costume de pegar corridas das 6h às 9h30, voltando para casa por volta das 10h, para lanchar e para levar o neto autista a sessões de terapia. Na última segunda-feira, não voltou, e o celular dele estava desligado.

— Minha mãe ligou para a Uber, que não nos ajudou em nada. Já quando ligamos para a 99 eles foram super solícitos e passaram os itinerários deles naquele dia. Meu pai é idoso e tem diabetes. Ele não era aposentado e por isso precisava trabalhar. Minha preocupação é que ele tivesse passado mal ou algo grave acontecido — explicou Daniela.

Por volta do meio-dia, Daniela foi com os outros dois irmãos à delegacia registrar boletim de ocorrência. A família, junto com a 99, plataforma para que Edenilson trabalha, informaram aos investigadores que rastrearam o GPS do celular e viram que a última localização foi na Rua João de Abreu, Vista Alegre, São Gonçalo, às 7h15 de segunda-feira.

Segundo Daniela, o aplicativo também mostrou que o celular do idoso foi ligado pela última vez por volta das 14h, no bairro Arsenal, próximo de São Gonçalo.

— Meu pai tinha um pouco de medo de rodar no Uber. Mas ele sempre falava para gente que sabia onde poderia entrar. Meu pai não tem nenhum problema mental nem psiquiátrico. Mas ele é diabético e se ficar sem beber água ou comer pode ficar muito mal de saúde. O que me preocupa neste momento é que ele esteja morto, e a gente nem o corpo está achando.

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Edenilson tem cinco netos, é corretor de imóveis e não está aposentado. De acordo com a filha, ele trabalha como motorista de aplicativo para complementar renda. A família pede que qualquer informação seja repassada ao Disque Denúncia (2253-1177). Segundo parentes, o desaparecimento ainda não foi informado às crianças para poupar sofrimento. Apenas a neta mais velha, de 15 anos, sabe da investigação.

—A gente imagina que algum marginal o abordou e o esteja fazendo refém. Pode ser que o tenha largado em algum lugar. Eu só quero encontrar meu pai — completou.

De acordo com a policia, o caso está investigado pelo Setor de Descoberta de Paradeiros da Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSG). Além disso, investigações estão em andamento para localizar o desaparecido e esclarecer todos os fatos.

Em nota, a 99 afirmou que a empresa se solidariza com a família e irá cooperar com as autoridades responsáveis para que Pereira de Souza seja encontrado “o mais rápido possível”. A empresa responsável pelo aplicativo de transporte individual ainda alegou que, após as apurações, não identificou intercorrências nas corridas realizadas pelo condutor na plataforma.

“O app ressalta ainda que, assim que o desaparecimento foi reportado, entrou em contato com a família de Edenilson para acolhimento e disponibilizou as informações pertinentes à polícia, como histórico de corridas e informações geradas a partir das ferramentas de segurança da plataforma. A 99 também segue à disposição para colaborar com as investigações e com o que mais for necessário”, escreveu a 99.

Já a Uber alegou que não podia ter dado mais informações à família por conta do Marco Civil da Internet, que é a lei federal que regula qualquer tipo de compartilhamento de dados no Brasil. A empresa afirma que a legislação não permite a disponibilização das informações solicitadas, só caso as autoridades pedissem.

“A Uber permanece à disposição das autoridades para colaborar com as investigações sobre o desaparecimento do motorista Edenilson Bernardo de Souza, na forma da lei. A empresa esclarece que só pode compartilhar dados respeitando a legislação aplicável, em especial o Marco Civil da Internet. O Marco Civil proíbe o compartilhamento de dados pessoais com terceiros, exceto nos casos expressamente previstos em lei”, pontuou a empresa.