Polícia prende homem apontado como o Escobar brasileiro

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Polícia Civil prendeu Anderson Lacerda Pereira, 42, conhecido como Anderson Gordão, suspeito de ser um dos maiores traficantes do país. Segundo a Secretaria da Segurança Pública, ele era foragido da Justiça.

A polícia diz que a prisão ocorreu na tarde desta segunda-feira (5) em Poá, na região metropolitana de São Paulo. Ele almoçava em um restaurante popular na avenida Antônio Massa, no centro do município, quando foi encontrado.

Pereira foi preso por investigadores do 103º Distrito Policial, de Itaquera, na zona leste da capital. "Os policiais realizavam trabalhos de investigação quando encontraram o suspeito, que era procurado pela Justiça", afirma a secretaria, em nota.

A defesa do preso nega que ele tenha envolvimento com o tráfico de drogas.

De acordo com o delegado Fernando Santiago, do Denarc (Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico), a polícia começou a investigação após a apreensão de um arsenal em uma casa na zona leste da capital paulista, em novembro de 2019.

Entre as armas apreendidas foram encontrados sete fuzis e oito pistolas 9 milímetros. E havia a informação de que o armamento pertenceria a duas pessoas com apelidos de Gordão e Compadre.

Foi por meio de um carro estacionado na garagem, que passou a ser monitorado, que a polícia chegou até Pereira. O veículo circulava pelas regiões de Arujá, onde o suspeito preso nesta segunda chegou a ter 16 casas em um único condomínio de alto padrão, além de outros imóveis, em um patrimônio avaliado em R$ 130 milhões.

"Descobrimos que ele já tinha sido investigado pela Polícia Federal em ao menos duas oportunidades. Uma delas, em 2010, por montar uma empresa de fachada de produtos farmacêuticos, desviava para misturar com a cocaína que vendia", diz o delegado.

A outra, de 2014, por envolvimento com André de Oliveira Macedo, o André do Rap, pela suspeita de tráfico de toneladas de cocaína para a Europa via Porto de Santos. O suspeito acabou condenado a sete anos de prisão pela Justiça Federal.

Por causa da investigação internacional, Pereira chegou a ter seu nome incluído na lista de procurados pela Interpol.

Foi da cadeia, diz o delegado, que o suspeito conseguiu se infiltrar na Prefeitura de Arujá e fechar contratos milionários para comandar a coleta de lixo do município e um hospital. "Ele lavava e desviava dinheiro público", diz o delegado.

A apreensão de pen drives com mensagens de celular arquivadas, que estavam com o filho de Pereira, afirma o delegado, levou a polícia a descobrir o esquema na prefeitura.

Em nota, a Prefeitura de Arujá diz que a empresa investigada foi substituída em 2020 e que nunca prestou serviços para a atual administração.

Em um dos mandados de busca e apreensão por causa da investigação de fraude em contratos públicos, a polícia afirma ter encontrado passagem secreta para fuga e bunker em uma das casas de Pereira. Também foram achadas mais armas, entre pistolas, fuzil e metralhadora.

Em outro imóvel, em um sítio em Santa Isabel, também foram encontradas armas, novamente de acordo com o delegado do Denarc. O local é chamado de Guamuchilito, que segundo a polícia é uma homenagem à região de nascimento do narcotraficante mexicano Amado Carrillo Fuentes, morto em 1997.

No sítio, diz o delegado, Pereira mantinha uma espécie de minizoológico, com macacos, araras e até um Jacaré.

O local teria sido inspirado em Hacienda Nápoles, fazenda de Pablo Escobar, o narcotraficante colombiano líder do cartel de Medellín, morto pela polícia em 1993.

Nos imóveis, a polícia ainda afirma ter achado textos e poemas, que teriam sido escritos pelo brasileiro com várias referências ao colombiano.

"Ele deixava claro que admirava o Escobar", diz o delegado, que afirma ainda que a polícia encontrou uma música, "Un ser humilde", que teria sido composta em homenagem a Pereira , sob encomenda dele mesmo.

O suspeito de tráfico foi preso no restaurante popular de Poá junto com um homem que seria seu braço direito, após investigação da polícia de Itaquera. "Mesmo quando era procurado pela Interpol, ele circulava livremente, pois era de sua personalidade", afirma o delegado Santiago.

Pereira teria montado mais de 30 clínicas médicas e odontológicas na Grande São Paulo. Uma das unidades, afirma o delegado do Denarc, foi usada para atender Giovanni Barbosa da Silva, 29, o Koringa, preso em 9 de janeiro de 2021 em Pedro Juan Caballero, no Paraguai.

OUTRO LADO

A defesa de Anderson Lacerda Pereira afirma que o processo demonstrará sua inocência sobre a organização criminosa denunciada.

Diz ainda que ele foi condenado pela 5ª Vara Federal da cidade de Santos e que não responde a mais nenhuma ação penal por tráfico —há mais um processo de comércio de substância farmacológico de uso proibido.

Sobre bunker citado pela polícia, a defesa afirma que era apenas um quarto mais fechado, aprovado na planta do imóvel.