Polícia prende mulheres suspeitas de matarem guia de turismo a facadas no Centro do Rio

Agentes da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) e da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) prenderam na tarde desta sexta-feira as duas mulheres suspeitas de terem matado o guia turístico Daniel Mascarenhas Xavier da Silva, de 31 anos, morto na madrugada da última quarta-feira no Centro do Rio, quando voltava do trabalho. Segundo a Polícia Civil, as duas mulheres foram encontradas na casa de parentes em São João de Meriti, na Baixada Fluminense; elas teriam fugido para o local após sofrerem agressões do tráfico do Morro da Providência, local onde viviam no Centro do Rio.

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As duas mulheres confessaram o crime à Polícia e foram levadas para realizar atendimento médico no Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio. Após serem atendidas, as duas serão encaminhadas para a Delegacia de Homicídios da Capital, localizada no mesmo bairro.

Imagens feitas por câmeras de segurança mostram o momento em que as duas mulheres — uma loira, que está pilotando a motocicleta, e outra morena — abordam o guia turístico na Rua 20 de Abril. A criminosa que está na garupa aponta uma arma para Daniel, que entrega seus pertences. Mas, logo em seguida, ele reage e segura a mão dela, tentando sair da mira da arma. As duas descem da moto e entram em luta corporal com o guia, até que a loira pega uma faca e o esfaqueia diversas vezes.

A violência dura pouco mais de dois minutos. Enquanto Daniel é repetidamente golpeado, um ciclista passa pelo local, olha a cena de perto e se afasta. Ao menos três pedestres também observam, mas não fazem nada. Um taxista chega a dar ré no veículo. Mesmo com Daniel pedindo ajuda, o motorista arranca com o carro e sai sem prestar socorro. O guia, então, sai caminhando do local, com o corpo coberto de sangue. Em determinado momento do vídeo, ainda é possível observar que um homem com camisa azul pede a faca usada no crime para as mulheres. A criminosa de cabelos escuros entrega o objeto e ele vai embora.

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Segundo o Corpo de Bombeiros, Daniel foi encontrado já sem vida pouco depois, na altura do Hospital Souza Aguiar, cerca de 300 metros do local onde foi agredido. Equipes do 5º BPM (Praça da Harmonia) também foram acionadas e constataram a morte do guia de turismo. Uma faca e um simulacro de arma de fogo foram apreendidos no local e encaminhados para perícia.

O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios da Capital, que já ouviu testemunhas. Segundo elas, as mulheres insinuaram para pessoas que se aproximaram que a vítima seria um criminoso e que havia agredido as duas.

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Daniel foi esfaqueado cinco vezes nas costas e no pescoço, de acordo com o laudo de exame de necropsia. O exame, obtido com exclusividade pelo GLOBO, mostra que o rapaz teve uma hemorragia após sofrer lesões no tórax e pulmão.

Professor titular Medicina Legal da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), o perito Nelson Massini, após analisar o documento assinado pelo legista Reginaldo Franklin Pereira, explica que a forte hemorragia pulmonar provocada pela perfuração na região clavicular levou à morte de Daniel, após grave sofrimento respiratório, entre cinco e oito minutos.

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Em sua última publicação, há dois meses, Daniel aparece em uma montagem com asas de anjo e diz: "E no meu leito de morte eu vou rezar para os deuses e anjos, como um pagão, para qualquer um que possa me levar para o céu".

Na postagem, parentes e amigos deixam diversas mensagens de despedida, sempre falando de sua alegria e bondade:

"Você cumpriu com maestria a sua missão! Foi um cara incrível, sempre feliz, contando piada e fazendo graça de tudo… Um ser humano raro, deixava qualquer ambiente mais animado. Vai fazer (e já está fazendo) uma falta enorme", comenta uma mulher.

Comissárias de bordo que trabalharam com Daniel também lamentam a morte do colega: "Agradeço a Deus por ter a honra de conhecer e voar com Daniel Mascarenhas. Mais carinhosamente chamado de 'Masca'. Deus conforte sua família e a nós amigos", diz uma delas.

Além de já ter trabalhado como comissário, o guia de turismo também dava aulas de inglês, francês e português.