Polícia prende suspeito de atacar asiática em NY

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Manifestação contra a violência anti-asiática em Nova York

A polícia de Nova York prendeu, na madrugada desta quarta-feira (31), um suspeito de ter agredido uma asiática em Manhattan, a mais recente de uma série de agressões contra membros dessa comunidade nos Estados Unidos.

O ataque, filmado por câmeras de vigilância, ocorreu perto da Times Square na segunda-feira (29). A vítima, uma mulher de 65 anos, caminhava quando um homem se aproximou dela, empurrou-a para o chão e chutou sua cabeça várias vezes antes de ir embora.

O homem, que as forças de segurança identificaram como Brandon Elliot, de 38 anos, foi detido na madrugada e indiciado por uma agressão "motivada pelo ódio". Segundo um porta-voz da polícia, ele morava em um hotel perto da Times Square, próximo ao local da agressão, que agora recebe pessoas sem teto.

Vários hotéis desse bairro, que já não recebe as antigas multidões de turistas desde o começo da pandemia, se tornaram centros de abrigo.

O suspeito já teve problemas com a Justiça no passado. Entre 2002 e 2019, ele esteve na prisão por esfaquear sua mãe até a morte enquanto sua irmã mais nova de cinco anos assistia, disse à AFP o porta-voz da polícia.

O agressor proferiu insultos racistas contra sua vítima, segundo a polícia, que publicou o vídeo do ataque e fotos do suspeito no Twitter na terça-feira, com a esperança de obter informações sobre ele.

A vítima, cuja identidade não foi divulgada, foi hospitalizada com uma fratura no quadril e vários ferimentos, disse a polícia. Sua condição era estável na terça-feira.

- "Repugnante" -

A violência do ataque, somada à passividade de dois homens que presenciaram a cena dentro de um prédio - um deles inclusive fechou a porta do prédio ao invés de ir ajudar a mulher que estava no chão - provocou reações de indignação de muitos políticos locais e também do presidente Joe Biden.

O prefeito de Nova York, Bill de Blasio, descreveu o ataque como "horrível e repugnante". O governador do estado, Andrew Cuomo, lamentou que a violência contra a comunidade asiática esteja se tornando "uma epidemia" nos Estados Unidos.

O presidente Biden anunciou em um tuíte na terça-feira "medidas adicionais" para responder à violência contra os asiáticos, incluindo uma "iniciativa do Departamento da Justiça".

Assim como em outras metrópoles americanas, Nova York tem visto um aumento na violência contra pessoas de origem asiática nos últimos meses.

Em 15 de março, um homem matou oito pessoas a tiros, incluindo seis asiáticas, em vários spas na área de Atlanta.

O Departamento de Polícia de Nova York (NYPD, na sigla em inglês) reforçou sua presença em bairros com uma grande população asiática, e patrulhas voluntárias foram formadas para tranquilizar seus moradores.

Várias manifestações em solidariedade a este setor da população têm sido realizadas com a presença de personalidades, entre elas o influente reverendo Al Sharpton e candidatos a prefeitura de NY.

Nova York tem mais de um milhão de habitantes de origem asiática.

Na semana de 15 a 21 de março, a polícia registrou nove crimes "motivados pelo ódio", contra três no mesmo período de 2020, de acordo com estatísticas oficiais.

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