Polícia prende traficante acusado de torturar morador pelo caso dos três meninos desaparecidos

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RIO — A Polícia Civil prendeu nesta terça-feira Victor Hugo dos Santos Goulart,, apontado como um dos chefes do tráfico de drogas da comunidade Castelar, em Belford Roxo. Também conhecido como "Vitinho" ou "VT", ele é acusado de mandar torturar um morador após circular notícias falsas que ele seria o responsável pelo desaparecimento dos meninos Lucas Matheus, Alexandre da Silva e Fernando Henrique, ocorrido em dezembro do ano passado.

A Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) encontrou o traficante em Cabo Frio, na Região dos Lagos. Segundo as investigações, além de mandar torturar o morador, ele ordenou a traficantes e usuários de drogas levassem a vítima até a delegacia e incentivou que moradores realizassem uma manifestação em frente à DP, além de ordenar que um ônibus fosse incendiado.

Segundo as investigações, "Vitinho" também atuava em parceria com Wiler Castro da Silva, vulgo “Estala”, que foi executado por membros da facção criminosa por ter comandado uma espécie de tribunal do tráfico de drogas. Teria sido neste tribunal que houve a morte das crianças.

A Justiça converteu em preventiva a prisão de Anderson de Jesus, que segundo o delegado José Mário Salomão, da 54ª (Belford Roxo) é pai de Lucas Matheus, de 9 anos, um dos três meninos desaparecidos de Belford Roxo, na Baixada Fluminense. De acordo com o delegado, no momento da prisão, os policiais militares encontraram Anderson na comunidade da Palmeira junto a um grupo de criminosos de uma facção da região. Na ocasião, eles estavam em confronto com rivais da mesma área. Mais seis pessoas foram presas.

"Já com o custodiado Anderson, foi apreendido um fuzil calibre 556 com munições. Assim, evidente a necessidade da conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva do custodiado como medida de garantia da ordem pública, sobretudo porque crimes como esse comprometem a segurança de moradores da cidade de Belford Roxo, impondo-se uma atuação do Poder Judiciário, ainda que de natureza cautelar, com vistas ao restabelecimento da paz social concretamente violada pela conduta do custodiado (...) O custodiado Anderson já foi preso em flagrante pela prática do crime de associação ao tráfico, com mandado de prisão expedido em seu desfavor, a indicar a necessidade de sua custódia cautelar para evitar a reiteração delitiva", diz trecho da decisão.

O delegado afirma que Anderson era da facção rival a que é apontada como responsável pelo desaparecimento dos meninos. E, também segundo o delegado, ele se uniu ao outro grupo da mesma área para fazer vingança:

— Ele disse que o objetivo dele era tomar a (comunidade) Palmeira, e obter informação de quem foi o executor do filho - disse Salomão.

Segundo a Polícia Civil, Anderson foi autuado por associação ao tráfico de drogas e porte ilegal de arma de fogo de uso restrito. Na delegacia, ele narrou que já fez parte de uma facção criminosa, tendo sido preso anteriormente, e que recentemente se associou à facção rival por conta da notícia da morte do filho.

De acordo com o delegado, o preso seria encaminhado, neste sábado, para um presídio em Benfica, para a audiência de custódia.

Em nota, a Polícia Militar diz que, além dos presos, foi apreendido dois fuzis, uma espingarda, uma granada e um colete balístico. A ocorrência segue em investigação na 54ª DP.

Em agosto, a Polícia Civil admitiu, pela primeira vez, seguir uma única linha de investigação para apurar o sumiço dos três meninos desaparecidos há quase oito meses em Belford Roxo, na Baixada Fluminense. A hipótese investigada é a de que os garotos tenham sido assassinados por traficantes de drogas do Complexo do Castelar, mesma comunidade onde moravam, próximo ao Centro do município. Segundo a investigação, os corpos das crianças teriam sido ocultados pelos criminosos.

Durante uma live transmitida na época pelo deputado estadual Alexandre Knoploch (PSL), o delegado Uriel Alcântara, da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF), encarregado de investigar o caso, disse que outras linhas anteriormente seguidas já foram descartadas.

— A investigação, a gente não pode contar detalhes, mas ela amadureceu bem no que seria possível. Nós temos alguns pontos muito comprovados. A gente não tem todos os fatos elucidados, mas o que temos é comprovado, é tudo muito firme, muito consistente. A gente precisa caminhar um pouco mais nesta investigação, que já se encontra madura. Na linha de investigação hoje foram descartadas outras possibilidades . E se trabalha com a responsabilidade do tráfico de drogas, por ter matado estas crianças e de ocultar os corpos — disse o delegado, num trecho da live.

Em 30 de julho, policiais da DHBF, bombeiros e mergulhadores vasculharam um trecho do Rio Botas, na divisa dos bairros de São Bernardo e Recantus, em Belford Roxo. Eles procuravam pelos três meninos, que segundo o depoimento de uma testemunha, teriam sido jogados no rio, dentro de sacos plásticos entregues por traficantes. No entanto, o resultado do exame apontou que se tratavam apenas de pedaços da cauda de um animal.

Lucas Matheus, de 9 anos, Fernando Henrique, de 12, e Alexandre Silva, de 11, desapareceram no dia 27 de dezembro, no Bairro Areia Branca, em Belford Roxo. O caso foi denunciado ao Comitê contra o Desaparecimento Forçado da Organização das Noções Unidas (ONU).

Em câmeras de seguranças de ruas próximas de onde os meninos moravam, no Morro do Castelar, foi possível identificar os três caminhando em direção à feira do bairro. No depoimento das testemunhas para a Polícia Civil, pelo menos duas confirmaram a passagem dos garotos pelo local.

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