Polícia prende um dos pintores suspeitos de matar idosa e diarista em prédio de luxo

Um homem foi preso por suposto envolvimento na morte da aposentada Martha Maria Lopes Pontes, de 77 anos, e de sua diarista, Alice Fernandes da Silva, de 51, na tarde desta sexta-feira, dia 10, na favela de Acari, na Zona Norte do Rio. Jhonatan Correia Damasceno é um dos pintores flagrados por imagens de câmeras de segurança de um elevador do prédio de luxo onde as vítimas foram encontrados com cortes no pescoço, na Avenida Rui Barbosa, no Flamengo, na Zona Sul da cidade, ontem. O corpo da patroa, de acordo com o exame de necropsia do Instituto Médico-Legal (IML), ainda foi queimado dentro do imóvel.

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De acordo com as investigações da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), dois pintores que recentemente realizaram um serviço no apartamento de Martha são os principais suspeitos de participação no crime. Um deles foi preso por agentes da especializada e da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e outro já foi identificado e está sendo procurado.

Nas imagens que os mostram no condomínio e que foram obtidas com exclusividade pelo GLOBO, eles aparecem às 13h34 de máscaras, bonés e mochilas e carregam uma sacola plástica. Segundo as investigações, os homens permaneceram no apartamento por cerca de três horas. Depois do crime, Jonathan foi no banco e fez três saques de R$ 5 mil em nome de Martha.

Os cadáveres das duas mulheres foram localizados, por volta de 17h, por homens dos quartéis do Catete e do Humaitá do Corpo de Bombeiros. Eles foram acionados devido a um incêndio no apartamento onde estavam as vítimas. Pouco depois, uma faixa da Avenida Rui Barbosa chegou a ser interditada pela Polícia Militar, segundo o Centro de Operações (COR) da Prefeitura do Rio.

Segundo o IML, a causa da morte de ambas foi esgorjamento — lesão profunda que atingiu a garganta das vítimas e que foi provocada por ação corto-contundente, possivelmente uma faca. Filho de Alice, o bombeiro hidráulico Diogo Felixberto Fernades da Silva, de 27 anos, contou que os pintores já haviam voltado ao apartamento outras vezes em busca de dinheiro, embora o serviço já tivesse sido quitado por Martha.

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— O serviço foi feito e todo pago, mas eles estavam coagindo a dona Martha a dar mais dinheiro. A dona Eleonora, filha dela, contou que há 15 dias eles bateram lá contando uma história triste e querendo mais dinheiro. Em outro episódio, na última semana, eles foram lá novamente, desta vez só com a dona Marta, colocaram o pé na porta, a ameaçaram e a coagiram para levar mais dinheiro. Nesse dia, a minha mãe não estava lá — contou.

Durante a madrugada, testemunhas foram ouvidas da sede da DHC, na Barra da Tijuca, Zona Oeste da cidade. Viúvo de Alice, o porteiro Hilário Rodrigues Leite, de 62 anos, acredita que a mulher tenha tentado defender a patroa de agressões e acabou morrendo.

— Acredito que ela foi tentar defender a dona Martha. Deixaram entrar: eles disseram que a dona Marta deixou entrar. Não se sabe. Disseram serem os pintores — disse, acrescentado que, pelo horário, já não era mais para ela estar no apartamento. — Ela saiu de casa às 6h, eu fiquei dormindo, porque era o horário normal. Ela saia sempre às 15h, quando eu passava lá. Mas, ontem, não sei o que aconteceu, não era para ela estar lá.

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