Pintor preso pela morte de idosa e diarista confessa, mas culpa comparsa pelo crime

Um homem foi preso por ligação com a morte da aposentada Martha Maria Lopes Pontes, de 77 anos, e de sua diarista, Alice Fernandes da Silva, de 51, na tarde desta sexta-feira, dia 10, na favela de Acari, na Zona Norte do Rio. Jhonatan Correia Damasceno, de 32 anos, é um dos pintores flagrados por imagens de câmeras de segurança de um elevador do prédio de luxo onde as vítimas foram encontradas na véspera com cortes no pescoço, na Avenida Rui Barbosa, no Flamengo, na Zona Sul da cidade. O corpo da patroa, de acordo com o exame de necropsia do Instituto Médico-Legal (IML), ainda foi queimado dentro do imóvel.

Segundo a Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), responsável pelas investigações, Jhonatan confessou participação nas mortes. O preso, contudo, afirmou que a ideia de cometer os assassinatos partiu do comparsa, identificado como Willian Oliveira Fonseca, que também teve a prisão decretada e é considerado foragido. A polícia suspeita que, tal qual Willian, ele esteja escondido na comunidade de Acari.

Segundo a investigação, tanto Jhonatan quanto o pai dele já haviam prestado outros serviços para Martha Maria, bem como em outros apartamentos do prédio, conhecendo bem os moradores. Na tarde do crime, ele e Willian interfonaram para a residência da idosa, e tiveram a subida liberada por ela. No local, ainda de acordo com a Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), responsável pelo inquérito, a dupla fez a patroa e a diarista reféns.

Jhonatan, então, deixou o imóvel e seguiu para um banco próximo, enquanto Willian mantinha as mulheres em cárcere. Na agência, o suspeito fez três saques de R$ 5 mil em nome de Martha Maria, devidamente autorizados por ela, que permanecia rendida, em casa. Ao retornar, a dupla teria decidido executar as duas vítimas.

Até o momento, oito testemunhas já foram ouvidas pela especializada, como parentes, o zelador do edifício e funcionários da agência bancária na qual Jhonatan esteve. O suspeito preso não tinha passagens pela polícia, mas, segundo a DHC, Willian possui extensa ficha criminal. Ele já teve a prisão decretada e é considerado foragido. Nas imagens que mostram a dupla no condomínio e que foram obtidas com exclusividade pelo GLOBO, eles aparecem às 13h34 de máscaras, bonés e mochilas, e carregam uma sacola plástica.

Pouco depois da prisão de Jhonatan, o governador Cláudio Castro comentou o caso nas redes sociais. "Menos de 24 horas após o covarde assassinato de Martha Maria Lopes Pontes, 77 anos, e Alice Fernandes da Silva, 51, em um apartamento no Flamengo, a Polícia Civil identificou e prendeu em Acari um dos suspeitos do crime, que chocou a sociedade. Parabéns à Polícia Civil pela competência e rapidez na ação", escreveu o governador.

Os cadáveres das duas mulheres foram localizados, por volta de 17h, por homens dos quartéis do Catete e do Humaitá do Corpo de Bombeiros. Eles foram acionados devido a um incêndio no apartamento onde estavam as vítimas.

Segundo o IML, a causa da morte de ambas foi esgorjamento — lesão profunda que atingiu a garganta das vítimas e que foi provocada por ação corto-contundente, possivelmente uma faca. Filho de Alice, o bombeiro hidráulico Diogo Felixberto Fernades da Silva, de 27 anos, contou que os pintores já haviam voltado ao apartamento outras vezes em busca de dinheiro, embora o serviço já tivesse sido quitado por Martha.

— O serviço foi feito e todo pago, mas eles estavam coagindo a dona Martha a dar mais dinheiro. A dona Eleonora, filha dela, contou que há 15 dias eles bateram lá contando uma história triste e querendo mais dinheiro. Em outro episódio, na última semana, eles foram lá novamente, desta vez só com a dona Marta, colocaram o pé na porta, a ameaçaram e a coagiram para levar mais dinheiro. Nesse dia, a minha mãe não estava lá — contou.

Viúvo de Alice, o porteiro Hilário Rodrigues Leite, de 62 anos, acredita que a mulher tenha tentado defender a patroa de agressões e acabou morrendo.

— Acredito que ela foi tentar defender a dona Martha. Deixaram entrar: eles disseram que a dona Marta deixou entrar. Não se sabe. Disseram serem os pintores — disse, acrescentado que, pelo horário, já não era mais para ela estar no apartamento. — Ela saiu de casa às 6h, eu fiquei dormindo, porque era o horário normal. Ela saia sempre às 15h, quando eu passava lá. Mas, ontem, não sei o que aconteceu, não era para ela estar lá.

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