Polícia quer saber se médicos encontraram bala que feriu menino na Vila Aliança

Marcos Nunes
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RIO — O delegado Luís Maurício Armond Campos, da 34ª DP (Bangu), vai oficiar ao Hospital Pedro II, em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio, para saber se os médicos que realizaram uma cirurgia no menino Kaio Guilherme da Silva Baraúna, de 8 anos, atingido por uma bala perdida na última sexta-feira, conseguiram ou não extrair o projétil que feriu a criança. Se a retirada for confirmada, o material deverá ser encaminhado à Polícia Civil, que poderá determinar através de uma perícia, o calibre da arma responsável pelo disparo.

Além disto, a arrecadação do projétil também ajudaria na realização de um futuro exame de comparação balística, caso seja apreendida alguma arma suspeita de ter sido usada no crime. Kaio foi atingido por uma bala perdida quando estava em uma festa, que era realizada num espaço aberto, da Vila Aliança, em Bangu, na Zona Oeste.

Por enquanto, a polícia trabalha com a hipótese de que o disparo tenha sido feito em uma comunidade vizinha à Vila Aliança, que é controlada por bandidos de uma facção rival. Uma das linhas de investigação é a de que o tiro tenha partido da Vila Kennedy, também localizada em Bangu. Ainda nesta terça-feira, Kaio deverá passar por um exame que vai detectar se a criança tem ou não algum tipo de fluxo cerebral Segundo a Secretaria municipal de Saúde, o menino continua internado em estado grave numa UTI do Hospital municipal Pedro II, unidade que é referência para neurocirurgia.

A professora Thaís Silva, mãe da criança, acompanha de perto a luta do filho pela vida. Desde que Kaio foi submetido a cirurgia, ela tem permanecido no hospital aguardando notícias. Ela conta que a família continua fazendo orações pela recuperação do pequeno Kaio.

— Tenho dormido todos os dias no hospital. Só nesta última noite que o pai dele ficou no meu lugar para eu descansar um pouco. Continuamos com as orações e com os cultos de clamor pela vida do meu filho. Acreditamos que o fato de o exame de segunda-feira (de fluxo cerebral) ter dado inconclusivo foi um dia a mais que nós ganhamos para estar orando pela vida do meu filho. A gente continua orando e acreditando na recuperação dele — disse a professora.

Kaio estava em festa na Vila Aliança quando foi baleado. O menino foi levado inicialmente para o Hospital Albert Schweitzer, em Realengo. Após receber os primeiros socorros foi transferido para o Hospital Pedro II. Kaio foi a centésima criança baleada na Região Metropolitana fluminense nos últimos cinco anos — seis delas apenas nestes primeiros meses de 2021, segundo levantamento da plataforma Fogo Cruzado.

Descrito como uma criança alegre, Kaio sonha ser jogador de futebol e aparece em uma das fotos de família com a camisa do Bangu, time do bairro em que mora. Ele foi atingido por volta das 16h30m, quando estava na fila para fazer uma pintura no rosto. O menino caiu no chão e a mãe, a professora Thais Silva, de 29 anos, foi socorrê-lo.

— Quando vi muito sangue, não conseguia nem reagir, só chorar. Não conseguia nem segurar meu filho — disse ela, muito abalada, ao "RJ1" da TV Globo.