Polícia identifica traficante de armas preso com identidade falsa no Paraguai

Luã Marinatto
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Autoridades brasileiras descobriram, nesta segunda-feira, o verdadeiro nome do traficante de armas preso próximo de Assunção, capital paraguaia, na noite do último sábado. No momento em que foi abordado por agentes da Delegacia Especializada em Armas, Munições e Explosivos (Desarme) e da Secretaria Nacional Antidrogas (Senad), do Paraguai, o suspeito apresentou um documento no nome de Gabriel Mendes da Silva, supostamente nascido em São Miguel do Guamá, no Pará. Contudo, a identidade, emitida no fim do ano passado, era falsa. Através da comparação de digitais, o Centro Integrado de Operações de Fronteira (CIOF), do Ministério da Justiça, identificou o bandido como Rodrigo Braga, de 34 anos, nascido em Florianópolis, Santa Catarina. A informação, publicada primeiramente pelo "G1", foi confirmada pelo EXTRA.

Até então, a Polícia Civil do Rio sabia apenas que o criminoso era conhecido como Turco. Rodrigo é apontado como braço-direito de Ricardo Luiz Picolotto Pedroso da Silva, o R7, um dos principais fornecedores de armas para comunidades do estado e considerado foragido pela Justiça do Rio Grande do Sul. Integrante de uma facção de origem gaúcha, Turco é, como indicam as investigações, o responsável pela interlocução junto às duas maiores facções do país, uma paulista e a outra do Rio.

Em solo fluminense, os principais clientes da quadrilha na venda de armas são, ainda segundo informações da Desarme, traficantes dos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte da cidade. Superior hierárquico de Turco, R7 mantém negócios com Luciano Martiniano da Silva, o Pezão, chefe do tráfico no Alemão, que também está, de acordo com a polícia, escondido no Paraguai.

Em Santa Catarina, Rodrigo Braga responde pelos crimes de tráfico de drogas, receptação, furto e adulteração de sinal identificador de veículo. Até janeiro de 2020, quando obteve um benefício de saída temporária da cadeia, ele estava preso em Itajaí. Em vez de retornar para a penitenciária após uma semana, como exigia a determinação judicial, ele fugiu para o Paraguai. Chegou a circular que Turco havia participado de uma fuga de 76 detentos de uma prisão paraguaia, tambem em janeiro do ano passado, mas a informação não se confirmou.

No Paraguai, Turco e R7 recebiam armas oriundas de diversos países, como Estados Unidos, Israel, China e Austrália, além de cidades da Europa. De lá, a dupla repassava o armamento para vários estados do Brasil, em especial São Paulo e Rio de Janeiro. Principal alvo da operação do último sábado, Ricardo da Silva conseguiu escapar do cerco. Muito metódico, ele mantinha anotações com informações detalhadas das armas que negocia. O material foi apreendido pela polícia.

Turco foi preso em uma mansão avaliada em R$ 2,5 milhões, onde também foram apreendidos uma arma, munição para pistola e fuzil, celulares e um computador. Ao mesmo tempo, agentes incursionaram em outro endereço no Paraguai à procura de R7, mas somente a esposa e um filho recém-nascido do traficante de armas estavam no local.