Polícia do Rio tem suspeito por morte de designer em Paraty

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PARATY, RJ (FOLHAPRESS) - A Polícia Civil do Rio de Janeiro já tem um suspeito pelo assassinato da designer Thalissa Nunes Dourado, 27, encontrada morta no começo do mês em Paraty, no sul do estado.

A informação foi confirmada pelo delegado responsável pelo caso, Marcelo Haddad. O nome do suspeito não foi divulgado.

O corpo da designer foi achado com as mãos amarradas e com um saco plástico na cabeça. Até agora, ninguém foi preso.

A investigação havia sido concluída pela polícia, mas a promotora Laura Pinto de Lucca Abelha considerou insuficientes as provas coletadas para acusar a pessoa apontada no inquérito como autora do crime.

"A investigação da polícia terminou, mas o Ministério Público e o Judiciário entenderam que faltam diligências", afirmou o delegado.

Segundo ele, isso não deve mudar a identificação do suspeito. "São exames que vão complementar outras caracterizações, como a definição da causa mortis. No nosso ver, não são exames primordiais. Já chegamos a uma conclusão."

Foram solicitadas pela Justiça, também, que mais informações fossem acrescentadas aos laudos de local do crime e cadavérico.

A perícia inicial afirmou que Thalissa foi vítima de homicídio por asfixia.

Como provas, a polícia apresentou os laudos da necropsia do corpo e do local do crime, uma análise das imagens das câmeras de segurança da rua e depoimentos de amigos e familiares.

Em nota, o Ministério Público informou que o caso está sob sigilo judicial e que "foram adotadas medidas de diversas naturezas a fim de esclarecer os fatos, mas as diligências requisitadas demoram tempo, estando muitas ainda em fase de conclusão".

Em um ato realizado no centro de Paraty no dia 18 de novembro, manifestantes pediram justiça e criticaram a demora no esclarecimento do caso.

Pelo relato de testemunhas ouvidas pela polícia, Thalissa saiu com colegas de trabalho na noite anterior ao crime e voltou para casa de madrugada acompanhada de um casal de amigos. Após um tempo, o casal foi embora e ela subiu para o quarto sozinha.

Depois, imagens das câmeras de segurança da rua mostram que Thalissa saiu novamente, sozinha, e retornou de madrugada.

Na manhã seguinte, por volta do meio-dia, a amiga com quem ela dividia a casa a encontrou já morta no quarto, com as mãos amarradas e um saco na cabeça.

Nascida em São Paulo, Thalissa havia se mudado para Paraty durante a pandemia de Covid-19 e lançado há poucos meses uma marca de moda sustentável. De acordo com a mãe, ela vivia um momento feliz e estava levando uma vida tranquila em Paraty.

O município é um dos mais violentos do Rio de Janeiro, com vários casos de violência contra a mulher.

Em julho deste ano, Juliana Carlos Santos, 25, foi queimada, esquartejada e enterrada numa praia isolada da região. Meses antes, duas mulheres sofreram tentativa de estupro e homicídio na turística Praia do Sono.

No ano passado, a cidade foi cenário de dois crimes bárbaros que chocaram a população. Em janeiro, Dara Cristina de Almeida Santos Souza, 25, teve a casa incendiada pelo namorado. Ela escapou com vida, mas seus filhos, três crianças de quatro, cinco e sete anos, morreram no incêndio.

Em fevereiro, um casal de turistas foi atacado na casa onde passavam férias na praia do Sono. A mulher foi estuprada e o marido, assassinado.