PRF monitora 271 bloqueios de bolsonaristas em vias; veja a situação nos estados

Decisão do STF determinou que polícias desmantelem bloqueios realizados por bolsonaristas em todo o país - Foto: Mateus Bonomi/Anadolu Agency via Getty Images
Decisão do STF determinou que polícias desmantelem bloqueios realizados por bolsonaristas em todo o país - Foto: Mateus Bonomi/Anadolu Agency via Getty Images

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) está monitorando 271 pontos de bloqueios ou interdições em 23 estados na manhã desta terça-feira. Esses pontos estão paralisados por manifestações de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL), principalmente caminhoneiros, que protestam por causa do resultado das eleições presidenciais, vencidas por Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No Rio, a BR 116, Via Dutra, na altura de Barra Mansa, no interior do estado e que faz ligação com São Paulo, amanheceu com as duas pistas abertas. Na capital paulista, a Guarda Civil de Guarulhos liberou por volta das 8h50 as pistas da rodovia Hélio Smidt, que dá acesso ao Aeroporto Internacional de Guarulhos, no sentido do aeroporto.

Segundo balanço da corporação, foram desfeitas 192 manifestações. Isso atende a determinação do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alexandre de Moraes. Em decisão na noite de segunda-feira, ele determinou que a PRF e as polícias militares dos estados desobstruíssem imediatamente as rodovias ocupadas ilegalmente. Na madrugada desta terça-feira, o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria em apoio à decisão de Moraes.

O ministro da Justiça, Anderson Torres, ressaltou a queda dos bloqueios em uma publicação no Twitter. "A @PRFBrasil segue atuando ininterruptamente no desbloqueio das estradas. Das 18h00 de 30/10 às 05:30 de 01/11 já foram eliminados 192 pontos de bloqueio", escreveu.

Guarulhos liberado

A Guarda Civil de Guarulhos liberou por volta das 8h50 as pistas da rodovia Hélio Smidt, que da acesso ao Aeroporto Internacional de Guarulhos, no sentido aeroporto. A via estava bloqueada por apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL), que protestavam contra o resultado da eleição presidencial e a favor de um golpe de estado.

Apesar de haver policiais militares e agentes da Polícia Rodoviária Federal no local, foi a Guarda Civil de Guarulhos que tomou a iniciativa de lançar bombas de gás lacrimogênio na direção do grupo para liberar a via e fazer fluir o trânsito na rodovia, que está carregado.

O grupo de bolsonaristas, então, dispersou e parte dele caminha em direção à rodovia Presidente Dutra. Permaneceram às margens da Hélio Smidt 18 bolsonaristas.

Interdições no Rio

A BR 116, Via Dutra, na altura de Barra Mansa, no interior do estado do Rio e que faz ligação com São Paulo, amanheceu com as duas pistas abertas. Há, no entanto, uma concentração de manifestantes às margens da via. Outros dois pontos de bloqueio, na altura dos municípios de Queimados e Nova Iguaçu, também foram liberados.

De acordo com agentes da PRF, a liberação da Dutra em Barra Mansa aconteceu por volta das 3h da manhã, quando um grupo de cerca de 150 manifestantes ainda permanecia no local travando a pista no sentido Rio. A via é a principal ligação entre os estados do Rio e São Paulo. De acordo com a Polícia Militar, a saída dos manifestantes foi ordeira, após uma conversa com agentes da PRF. Cerca de 20 manifestantes ainda permanecem no local, entre eles um grupo de fiéis da Igreja Assembleia de Deus de Madureira, que montou uma tenda com comida e bebida para doar aos motoristas.

O balanço mais recente da PRF dá conta de que há interdições em ao menos 136 estradas do país. Segundo o portal de notícias G1, a Polícia Rodoviária começou a desobstruir, desde a meia-noite de hoje, as rodovias no Espírito Santo, onde há mais de 10 pontos de bloqueio ilegal.

No Rio, conforme atualização mais recente, divulgada pela PRF-RJ, ainda há seis pontos no estado com interdição total. Na BR 101, na altura dos quilômetros 532 e 576, em Paraty, dois trechos somam cerca de 130 manifestantes e estão bloqueados em dois sentidos. Outro ponto na BR 101, na altura de Campos dos Goytacazes, além de três outros trechos da BR 356, que liga Minas ao Espírito Santo passando pelo Rio, nas alturas de Itaperuna, Campos e São João da Barra, também estão fechados totalmente.

Mais sete pontos, segundo a PRF no Rio, têm interdição parcial neste momento. A BR 040, nas alturas de Duque de Caxias, com pneus espalhados pela via, e de Petrópolis (onde há interdição total no sentido Juiz de Fora), também tem interdição parcial. O mesmo cenário acontece em dois pontos da BR 493 (Arco Metropolitano), com trechos em Nova Iguaçu e Itaboraí, além da BR 356, na altura de Campos. A BR 101 tem interdição parcial também na altura de Itaboraí, assim como em outro trecho da Dutra (BR 116), em Teresópolis.

Na manhã desta terça-feira, caminhoneiros fecharam o acesso à BR-101 na altura de Itaboraí, na Região Metropolitana do Rio. Manifestantes fizeram uma barricada com pneus e atearam fogo para impedir a passagem de veículos.

De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), uma faixa foi liberada para veículos de passeio às 5h. Às 6h09, a pista sentido Espírito Santo estava totalmente fechada. Dezenas de caminhões parados em uma das pistas que desembocam na via expressa, já por volta das 8h30, causavam um grande congestionamento no local, impedindo a passagem até mesmo de viaturas da Polícia Militar (PM). Na altura do Km 297 da estrada, 30 pessoas protestam e causam interdição parcial em ambos sentidos.

Multa para PRF

A decisão do ministro Alexandre de Moraes, corroborada pelo plenário do STF, prevê multa de R$ 100 mil por hora, a partir da meia-noite desta terça, em caso de desobediência da ordem, inclusive omissão e inércia da corporação. Moraes também determinou o afastamento e a prisão em flagrante do diretor-geral da PRF, Silvinei Vasques, pelo crime de desobediência, se as ordens não forem cumpridas.

Os bloqueios nas rodovias começaram na noite de domingo, após a divulgação do resultado da eleição, com vitória para Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Como o GLOBO mostrou, pelo menos duas deputadas bolsonaristas, que já foram investigadas por atos antidemocráticos estão apoiando as paralisações: Aline Sleutjes (Pros-PR), que é uma das vice-líderes do governo Bolsonaro no Congresso, e Carla Zambelli (PL-SP). A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e a Confederação Nacional do Transporte (CNT), por sua vez, se manifestaram contra os bloqueios. Líderes da greve de 2018 também condenaram o fechamento das estradas.