Polícia do RS identifica autor de feminicídio de adolescente indígena de 14 anos: 'Grave violação dos direitos humanos'

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RIO — A Polícia Civil do Rio Grande do Sul identificou o assassino da indígena Daiane Griá Sales, de 14 anos, ocorrida em agosto deste ano. Em entrevista coletiva, o delegado Vilmar Schaefer, que está à frente do caso, afirmou, nesta quarta-feira, que o autor do feminicídio é um homem não indígena que já se encontra no sistema prisional. Ele, que não teve o nome divulgado, foi indentificado por exame de DNA e reconhecido por testemunhas. O suspeito teve a prisão preventiva decretada.

Segundo Schaefer, o homem ofereceu uma carona à Daiane após ela sair de uma festa em Vila São João, na madrugada de 1º de agosto, entre 2h e 3h. O delegado informou que um exame realizado no sangue da menina constatou que o nível de álcool era três vezes superior ao limite permitido pela lei de trânsito:

— Isso mostra que estava em vulnerabilidade absoluta. O que ocorreu foi um estupro de vulnerável, um crime hediondo.

O promotor Miguel Germano classificou o crime como uma "grave violação dos direitos humanos".

— Dos direitos da mulher, dos indígenas e de todo e qualquer ser humano — disse ele.

Daiane, que morava na Terra Indígena do Guarita, da etnia Kaiangang, saiu de casa no dia 31 de julho e foi à festa, fora da reserva. O corpo da adolescente foi encontrado parcialmente vestido e com partes dilaceradas em quatro de agosto, numa lavoura a cerca de 12 quilômetros de onde ocorreu a comemoração — o suspeito morava nas proximidades.

— Lugar ermo e de defícil acesso, onde só iria quem conhecia o local — frisou Vilmar Schaefer, informando ainda que a garota foi morta por asfixia: — No pescoço da vítima há um sulco, lesão compatível com uso de corda.

A Articulação dos Povos indígenas do Brasil (Apib) cobrou a apuração do caso e disse que ela e a Associação dos Povos Indígenas da Região Sul (Arpinsul) "em conjunto com todas as organizações regionais de base, repudiam toda e qualquer violência contra mulheres indígenas e exige que a justiça seja feita a quem cometeu tal atrocidade".

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