Polícia russa afirma que Navalny ficou doente por 'pancreatite'

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A Polícia russa afirmou nesta sexta-feira (6) que o principal opositor ao Kremlin, Alexei Navalny, que foi tratado na Alemanha após ter ficado gravemente doente na Sibéria no final de agosto, sofreu uma "pancreatite", e negou novamente a hipótese de um envenenamento.

"O diagnóstico final foi realizado pelos médicos levando em conta vários estudos químicos e toxicológicos: distúrbios do metabolismo glicídico, pancreatite crônica com alteração" de algumas funções, declarou o serviço de imprensa da delegação siberiana da polícia russa.

"O diagnóstico de um envenenamento (...) não foi confirmado", acrescentou em um comunicado.

No final de agosto, o principal opositor russo sofreu um grave mal-estar durante um voo na Sibéria. Depois de dois dias internado, recebeu autorização para ser tratado na Alemanha, pressionado por seus familiares.

Segundo três laboratórios europeus, cujas conclusões foram confirmadas pela Organização para a Proibição de Armas Químicas (OIAC), Navalny foi envenenado por um agente neurotóxico do grupo Novichok, uma substância criada por especialistas soviéticos com fins militares.

O opositor, que ainda está sendo tratado na Alemanha, acusou diretamente o presidente russo, Vladimir Putin, de estar por trás do envenenamento. Moscou rejeitou essa acusação "inaceitável".

As autoridades russas acusaram inclusive os serviços ocidentais, os familiares de Navalny e o próprio Navalny de terem provocado essa situação.

O diretor do Serviço de Inteligência Exterior russo (SVR), Serguei Naryshkin, afirmou nesta sexta-feira que a morte de Navalny o transformaria em "vítima sacrificada" útil para o Ocidente para "reativar o movimento de protesto na Rússia".

"É muito triste ver no que se tornou o Serviço de Inteligência russo", reagiu Alexei Navalny no Facebook, chamando Naryshkin de "imbecil".

O Ministério russo das Relações Exteriores voltou a acusar a Alemanha, nesta sexta, de rejeitar qualquer colaboração com Moscou neste caso, alegando "pretextos absurdos". E pediu a Berlim que se "abstenha de qualquer politização artificial extra da situação".

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