Polícia de SC investiga caso de jovem homossexual vítima de suposto estupro coletivo e tortura

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RIO — A Polícia Civil de Santa Catarina está investigando o caso de um jovem homossexual de 22 anos que teria sido torturado e vítima de estupro coletivo em Florianópolis na semana passada. O caso corre em sigilo na 5ª Delegacia de Polícia da capital catarinense.

Segundo a advogada Margareth Hernandes, presidente da comissão de Direito Homoafetivo e Gênero e do Direito da Vítima da Ordem dos Advogados do Brasil em Santa Catarina (OAB/SC), que acompanha o caso, o jovem já está se recuperando em casa. Ela ainda não revelou detalhes do crime.

— A boa notícia é que o menino está bem, está em casa, tendo acompanhamento psicológico, e não deseja ter sua identidade revelada — afirmou Hernandes em vídeo enviado ao GLOBO. — O inquérito está correndo sob sigilo, tendo em vista as apurações dos fatos atraves de perícias e investigações para apuração dos autores.

Ao GLOBO, a Polícia Civil afirmou que "adotou todas as providências legais" e não se manifestará a respeito das investigações "em razão do sigilo" do caso.

De acordo com reportagem do portal catarinense ND+, a vítima foi estuprada por três homens que ainda teriam inserido objetos cortantes em seu ânus. Além disso, os agressores teriam "tatuado"expressões homofóbicas no corpo do jovem com objetos cortantes como cacos de vidro.

Após a revelação do caso, a Comissão de Direito Homoafetivo e Gênero e do Direito da Vítima da OAB/SC decidiu acompanhar a investigação e prestar auxílio jurídico aos familiares do jovem violentado. A entidade classificou o caso como um "crime bárbaro".

"É mister reforçar o papel institucional dessas Comissões, no sentido de trabalhar com a prevenção dessas violências, amparar as vítimas e buscar a punibilidade dos responsáveis por essa e inúmeras situações similares, que compõem um verdadeiro genocídio da população LGBTQI+, assistido frequente e cotidianamente no Brasil atual", disse, em nota, a OAB/SC.

No domingo, a advogada Margareth Hernandes publicou um vídeo nas redes sociais afirmando que recebeu ameaças de morte após se manifestar contra o estupro coletivo.

“Vou tomar as devidas providências cabíveis ao caso, registro de BO e judicialização em desfavor dos autores das ofensas e ameaças”, escreveu Hernandes na publicação.

O último relatório de violência contra a população LGBQTI+ feito pelo Grupo Gay da Bahia (GGB) em 2020, registrou que 224 pessoas tiveram morte violenta no Brasil, vítimas de homofobia e transfobia. Além disso, 13 cometeram suicídio. O relatório não levantou dados sobre estupros.

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