Polícia tenta identificar agenciador e donos de fábrica de cigarros onde paraguaios trabalhavam como escravos

Uma viagem de cerca de 19 horas, de ônibus, partindo de Cidade do Leste, no Paraguai, tinha um destino: o trabalho em situação análoga à escravidão em uma fábrica clandestina de cigarros, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Os 23 paraguaios que foram encontrados no local, na última sexta-feira (8), ainda não voltaram para a casa. Segundo a Polícia Civil do Rio, os depoimentos das vítimas apontam elas que foram recrutados em Cidade do Leste por um homem chamado Nico.

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Os donos da fábrica ainda não foram identificados pela polícia, que trabalha com todas as linhas de investigação. Com celulares confiscados e sem qualquer contato com a vida externa, o grupo mantido no local não podia sequer chegar perto das janelas da fábrica durante os três meses que ficaram lá. Isso contribuiu para que nenhum vizinho suspeitasse do que acontecia dentro do galpão, localizado em uma área residencial relativamente nobre de Campos Elíseos, em Caxias, segundo a polícia.

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A polícia chegou até a fábrica durante a verificação de uma denúncia de ligação irregular de energia elétrica no local. Agentes do Departamento Geral de Combate à Corrupção, Organizações Criminosas e à Lavagem de Dinheiro (DGCOR-LD), em conjunto com a Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD), da Secretaria de Estado de Polícia Civil (SEPOL), desconfiaram da movimentação e da reação dos trabalhadores, que se esconderam ao perceber a presença dos policiais.

O Consulado do Paraguai no Rio vai custear as passagens do grupo de paraguaios de volta para casa. No momento, eles se encontram em um hotel. Segundo o G1, o Ministério Público do Trabalho vai exigir o pagamento de direitos trabalhistas e uma indenização por dano moral às vítimas.

Um dos 23 paraguaios, no entanto, não deve voltar pra casa. Osvaldo Aguero Gimezes foi preso pela Polícia Federal. Contra ele, havia um mandado de prisão expedido pelo então juiz Sérgio Moro por associação ao tráfico. Além do grupo de estrangeiros, um brasileiro também estava trabalhando na fábrica, totalizando 24 vítimas.

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