Polícia tenta identificar donos de pitbulls sem coleira ou guia que mataram cãozinho em Vila isabel

A 20ª DP (Vila Isabel) instaurou um inquérito de omissão da guarda de cautela de animais para apurar a responsabilidade dos donos de dois pitbulls que mataram um yorkshire na noite da última segunda-feira, em Vila Isabel, na Zona Norte do Rio. A agressão aconteceu pouco depois das 21h, e algumas câmeras de segurança da região registraram parte do ataque. Na ocasião, também ficaram feridos o dono do cãozinho, o professor Carlos Alberto Marques Soares, de 62 anos, e um outro cachorro do professor, da raça golden retriever.

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Nesta terça, Soares registrou um boletim de ocorrência e fez exames de corpo de delito no Instituto Médico-Legal (IML), no Centro do Rio. A partir de agora, a 20ª DP vai analisar as imagens das câmeras e tentar identificar quem são os donos dos pitbulls, que estavam soltos e sem guias.

— Vamos tentar identificar os donos dos cachorros, esse é o primeiro passo. Além disso, já temos uma testemunha que vai prestar depoimento nos próximos dias, e vamos analisar as câmeras de segurança da região. As investigações estão em andamento — disse o delegado Cristiano do Vale Maia, titular da distrital, que completou:

— A investigação está no início, sobre a omissão da guarda de cautela de animais. Essa é uma contravenção penal. Mas vamos apurar se houve outros delitos. Quero ver as imagens do local, vamos analisar o laudo, além de ouvir testemunhas e o autor (dono dos animais). Queremos saber por que esses animais estavam soltos.

Novas imagens de câmeras de seguranças obtidas pelo GLOBO mostram o momento do ataque. As agressões, que duraram pouco menos de dois minutos, só cessaram após um motorista jogar o carro em cima da calçada e, junto com Carlos Alberto, dar socos e chutes nos animais.

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O estudante Pedro Elias, de 21 anos, que mora em um prédio ao lado do local do ataque, viu tudo o que aconteceu. Ele lembra dos momentos de desespero vividos pelo professor e seus dois cães.

— Ele gritava: “Socorro, socorro, eles estão atacando o meu cachorro”. Eu tenho um cachorro e fui ver o que estava acontecendo. Vi que os dois pitbulls estavam atacando. Tinha um carro parado e depois chegou um outro carro correndo para impedir. Em seguida, os cachorros soltaram. Eles colocaram os dois (cães atacados) no carro, e eu disse que tinha uma clínica veterinária ao lado — lembra o rapaz.

Após passar pelo IML, Carlos Alberto voltou a dizer que a tragédia poderia ser ainda maior. O professor disse que vai processar os donos dos animais:

— Eu passei o pior momento da minha vida ao ver o meu cachorro sendo assassinado por um pitbull. Fomos atacados quando passeávamos na praça. Eu tomei providências e quero que isso não fiquei impune. Aqueles cachorros poderiam ter me matado, e a tragédia poderia ser maior. Essa ação que vou mover é para que isso não aconteça mais, de nenhuma forma. Existe uma lei que proíbe cachorros de saírem sem focinheiras, sem guias e até mesmo soltos. Os tutores são irresponsáveis e precisam pagar. Eles mataram o meu cachorro, mas podem matar uma criança.

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A norma citada por Carlos Alberto é a Lei Estadual 4.597, de 16 de setembro de 2005, que estabelece que cães das raças pitbull, fila, doberman e rotweiller só podem circular por locais públicos, como ruas, praças, jardins e parques, se conduzidos por pessoas com mais de 18 anos e através de guias com enforcador e focinheira apropriados. O texto, sancionado em 2005 pela então governadora Rosinha Garotinho, deixa claro que os proprietários ou condutores de cães de raças como pitbull "são responsáveis pelos danos que venham a ser causados pelo animal sob sua guarda, ficando sujeitos às sanções penais e legais existentes".

Além disso, o artigo 7º da mesma lei diz que o não cumprimento das regras dispostas acarretará ao infrator, proprietário ou condutor uma série de sanções. Uma delas é multa, que vai de 5 a 5 mil UFIRs (podendo chegar a R$ 20,4 mil), que deverá ser aplicada em dobro e progressivamente nos casos de reincidência. A equipe do GLOBO tentou fazer contato com possíveis donos dos pitbulls no local onde eles moram, mas não foi recebida.

*Estagiária sob supervisão de Leila Youssef

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