Polícias Civil e Militar estão no entorno de comunidades da Zona Oeste que receberam ações na terça-feira

Rafael Nascimento de Souza
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RIO — Pelo segundo dia consecutivo, policiais são vistos em comunidades da Zona Oeste. Na manhã desta quarta-feira, dia 10, havia movimentação de diversos veiculos e policiais do Departamento Geral de Polícia Especializada (DGPE) no entorno da Vila Aliança, em Senador Camará. Já na Cidade de Deus, onde moradores acusaram agentes da Polícia Militar de truculência, durante a ação de ontem, terça-feira, dia 9, hoje foram vistas viaturas no entorno da comunidade.

Na Vila Aliança, moradores relatam intensa troca de tiros nesta amnhã. Na terça, a especializada esteve na região, além de ter atuado nas comunidades do Rebu e da Coréia. Durante a ação, quatro homens — apontados pela Decod como criminosos — foram mortos. Outros dez foram presos.

Durante a operação de terça-feira, os agentes encontraram um cemitério clandestino, em uma localidade de mata que seria usada para construções irregulares. A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) foi acionada e periciou o local. Na ação, 11 carros foram recuperados dentro das comunidades. Segundo investigadores, a operação na Vila Aliança visava a prender uma quadrilha de narcomilicianos, que cobra taxas de segurança e vende drogas na região.

Por volta de 8h15m desta quarta-feira, a reportagem do EXTRA viu a movimentação de diversos veículos e policiais da Civil na localidade. Procurado, o delegado Felipe Cury negou que a corporação estivesse fazendo alguma ação na região.

PM na Cidade de Deus

Na Cidade de Deus, foram vistas viaturas da Polícia Militar nos principais acessos, onde param carros e motocicletas. Até as 8h não havia informações sobre prisões e apreensões. A assessoria de imprensa da PM também informou que não estava na localidade fazendo ação policial nesta manhã. A corporação disse apenas que “equipes do 14º BPM fazem policiamento ostensivo na região”.

Moradores da comunidade acusam PMs de excessos durante uma ação que aconteceu ontem. Vídeos mostram o momento em que um agente agride uma pessoa duas vezes em uma localidade conhecida como Quinze.

Em outro ponto da favela, um policial, com um fuzil em mãos, é visto quando chuta a porta de uma residência enquanto um grupo protesta. Ele aponta a arma na direção dos moradores. Em seguida, arromba o portão e entra na casa.

Sobre a gravação, a PM informou que “o comando da corporação não tolera cometimentos de excessos por parte de seus membros”. Ainda de acordo com a instituição, quando é comprovado na análise de provas que agentes praticaram algum ato ilegal, a PM pune “os envolvidos quando identificados”. Por fim, a assessoria da Polícia Militar disse que “o referido material audiovisual será submetido à avaliação do comando e suas instâncias correicionais”.

Por conta dessas ações, moradores protestaram na Estrada Miguel Salazar Mendes de Moraes. A corporação diz que esteve no local ontem, terça-feira, para apreender armas e drogas na comunidade. Durante a ação, quatro homens foram presos. Um fuzil, drogas e um rádio de comunicação foram encontrados.

Durante toda a noite, o patrulhamento na CDD ficou reforçado. Nas redes sociais moradores falaram sobre a ação:

“Treze horas de operação na Cidade de Deus e fico me perguntando em que mundo isso é considerado normal, e em que momento tornamos isso rotineiro?”, disse uma moradora.

Já outro escreveu: “Muito tiro durante todo o dia”. Outros alertavam os moradores para ficarem em casa por conta da operação.

Nesta quarta-feira, um blindado da PM reforça o patrulhamento na Estrada Miguel Salazar Mendes de Moraes. Dezenas de viaturas patrulhavam a região por volta das 10h20.