Polícias militar e civil fazem operação no Complexo do Alemão, no Rio

*Arquivo* RIO DE JANEIRO, RJ, 10.09.2020 - Vista do Complexo do Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro. (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress)
*Arquivo* RIO DE JANEIRO, RJ, 10.09.2020 - Vista do Complexo do Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro. (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress)

SÃO PAULO, SP - RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Policiais militares e civis, do Bope e do Core, fazem uma operação conjunta no Complexo do Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro, na manhã desta quinta-feira (21).

A ação conta com 400 agentes das polícias, blindados e helicópteros. Nas redes sociais, moradores relatam intenso tiroteio.

Segundo a polícia, criminosos colocaram fogo em barricadas, jogaram óleo na via e atacaram os agentes.

Moradores denunciaram que a Polícia Militar matou Leticia Marinho, 50, uma mulher que mora no Recreio, zona oeste da cidade, mas que estava no Alemão visitando a tia do namorado, identificado como Denilson.

Ele afirmou ao Voz das Comunidades, mídia local, que saíram da casa da tia de carro e pararam no sinal, com os vidros abertos, ao lado de um veículo da polícia. Segundo Denilson, não havia confronto no local naquele momento.

Ainda assim, segundo ele, a polícia atirou contra o seu carro. "Nem percebi que ela tinha sido alvejada. Quando olhei, ela já estava caindo para o meu lado", disse.

Segundo Denilson, os agentes não explicaram por qual motivo efetuaram os disparos. Leticia deixa três filhos.

A UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Alemão informou que a paciente deu entrada na unidade, mas que morreu pouco tempo depois.

Ouvidor Geral da Ouvidoria Externa da Defensoria Pública do Rio de Janeiro, Guilherme Pimentel afirma que o órgão recebeu muitas denúncias sobre invasão de residências pela polícia e de helicópteros sendo utilizados como base para tiros.

Ele diz que moradores narraram intenso tiroteio, inviabilizando a saída de casa para trabalhar e estudar. Também relataram que o comércio e unidades de saúde estão fechados.

"As pessoas dentro de casa estão em pânico. Muito inseguras dentro da própria casa", afirma.

A Polícia Militar informou que criminosos "atacaram intensamente" uma base da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) localizada na Fazendinha, com o objetivo de impedir a circulação das polícias no morro.

Interligada a esta operação, outra acontece nas comunidades do Juramento e Juramentinho, nos bairros de Vicente de Carvalho e Tomás Coelho.

Em entrevista ao Bom Dia Rio, da TV Globo, o major Ivan Blaz afirmou que a operação é necessária para coibir a ação do crime na comunidade, inclusive em outros pontos do estado, com roubo de carga. Ele também disse que criminosos de outros estados estão sendo abrigados no Alemão.

Blaz afirmou que os confrontos eram muito intensos e que as tropas estavam encontrando dificuldade para avançar. Segundo ele, o ataque à base da UPP foi muito duro.

O major também disse que os criminosos colocaram muitas barricadas e trilhos de trem na região para impedir o avanço dos agentes.

Blaz reconheceu que o impacto na vida dos moradores do Complexo é muito grande, mas pede que eles evitem sair de suas casas. Afirmou, ainda, que equipamentos públicos como escolas não irão funcionar na região enquanto durar a operação.​

A operação ocorre em meio à decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) que restringiu as operações policiais para casos excepcionais no estado do Rio de Janeiro, enquanto durar a pandemia da Covid-19.

Em maio, operação policial na Vila Cruzeiro, a segunda mais letal no estado, resultou na morte de 23 pessoas. A favela é vizinha ao Alemão, alvo da ação desta quinta-feira.

A operação mais letal ocorreu em maio de 2021, na favela do Jacarezinho. Foram mortas 28 pessoas, sendo um policial civil.

A Defensoria Pública do Rio de Janeiro e a Ordem dos Advogados do Brasil no estado pedem que o governo do estado reduza em 70% as mortes por intervenção policial no prazo de um ano. As propostas foram encaminhadas ao Palácio Guanabara em junho.

Ao fim de maio, o ministro do STF Edson Fachin decretou que o Governo do Rio de Janeiro ouvisse, em um prazo de 30 dias, o Ministério Público, a Defensoria Pública e o Conselho Seccional da Ordem dos Advogados do Brasil para concluir o plano de redução da letalidade policial no estado.

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