Política econômica global à espera de próximo passo da China

Enda Curran

(Bloomberg) -- A direção a ser tomada por muitos dos bancos centrais e governos globais agora depende de uma pergunta: como o governo chinês reagirá ao choque econômico causado pelo coronavírus?

O Politburo da elite do Partido Comunista pediu ao país que cumpra suas metas econômicas este ano, um imperativo que pode abalar a recente relutância do governo em oferecer estímulos em larga escala.

Se isso se traduzir em afrouxamento total da política monetária e aumento dos gastos públicos, os principais parceiros comerciais que foram atingidos pelo impacto sobre as exportações, cadeias de suprimentos, commodities e turismo podem sofrer um efeito de curto prazo seguido por uma rápida recuperação.

O choque econômico deverá dominar as discussões na reunião desta semana de ministros das Finanças e bancos centrais durante a cúpula do Grupo dos 20 em Riad, na Arábia Saudita. Na sexta-feira, a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, Kristalina Georgieva, sugeriu que pode haver necessidade de “medidas sincronizadas ou, ainda melhor, coordenadas para proteger a economia mundial”.

Muito vai depender das medidas tomadas pela China. As opções de curto prazo incluem cortes adicionais das taxas de financiamento do banco central e isenção de impostos para setores mais afetados, além de liberar liquidez para o sistema financeiro. A ênfase ainda é de evitar exageros, embora haja sinais de que essa resolução esteja perdendo força.

O Banco Popular da China poderia reduzir ainda mais a proporção de depósitos que os bancos devem manter como reserva. Os governos locais estão sendo autorizados a acelerar a venda de títulos para financiar projetos de infraestrutura, como rodovias e centros de saúde.

Economistas do Goldman Sachs, UBS e BNP Paribas esperam mais medidas de flexibilização à frente.

O PIB real da China deve crescer 5,8% este ano, segundo pesquisa da Bloomberg, abaixo dos 5,9% do mês passado. Seria o resultado mais fraco em três décadas.

Ainda não se sabe se as autoridades realmente relaxarão as restrições aos empréstimos em uma economia em que a dívida total se aproxima de 300% da produção nacional, tornando a estabilidade financeira uma prioridade política.

“A chave para os parceiros comerciais da China não é tanto a composição do estímulo da China, mas, antes, que o estímulo seja adaptado para refletir as características do choque”, disse Nathan Sheets, um ex-representante do Fed que agora é economista-chefe da PGIM Fixed Income.

Efeito China

Economistas do HSBC Bank liderados por Janet Henry estimam que o impacto nas receitas do turismo será o maior obstáculo para a Ásia. Eles também destacam que o papel central da China na cadeia global de suprimentos de eletrônicos atrasará uma recuperação preliminar após a prolongada crise.

O banco, focado na Ásia, cortou a previsão de crescimento do PIB global em 2020 de 2,5% para 2,3% devido ao efeito da China.

Segundo análise de Tom Orlik, da Bloomberg Economics, Austrália, Coreia do Sul, Japão, Cingapura, Hong Kong e Tailândia estão entre as mais expostos na região, enquanto Brasil, Alemanha e África do Sul estão no topo da lista de vulnerabilidade global.

O presidente Xi Jinping destacou que o impacto no crescimento será de curto prazo e aproveitou oportunidades como uma conversa de meia hora por telefone com o primeiro-ministro da Malásia, Mahathir Mohamad, para garantir que as consequências serão minimizadas.

Para contatar o editor responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net

Repórter da matéria original: Enda Curran em Hong Kong, ecurran8@bloomberg.net

Para entrar em contato com os editores responsáveis: Malcolm Scott, mscott23@bloomberg.net, Enda Curran

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