Políticos corruptos e com falsas promessas marcaram várias novelas; relembre quem são

Marcelle Carvalho
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Dinheiro escondido, falsas promessas, escândalos de corrupção. Estamos falando da ficção ou da realidade? Dos dois! Personagens que incorporaram políticos marcaram várias novelas e, na maioria das vezes, isso não aconteceu por serem um exemplo de bom-caratismo. A vida inspira a arte, e a arte pode nos alertar. Afinal, temos mais uma chance de tentarmos mudar as coisas amanhã.

Ricardo Linhares, coautor de sucessos como “Tieta”, “Pedra sobre pedra”, “Fera ferida”, “A indomada” e “Babilônia”, analisa a atualidade de algumas figuras dos folhetins.

— Embora sejam fictícios, a inspiração para esses prefeitos veio da vida real. Todos continuam totalmente atuais — avalia Linhares, que destaca Aderbal, de “Babilônia”: — Percebemos a mistura de política, falsa religiosidade, hipocrisia, corrupção e incompetência, que ainda estava nascendo na época. Depois, passou a ser dominante em todas as esferas do poder, da administração municipal à presidência da república. No momento, temos prefeito e presidente que misturam todos esses defeitos do Aderbal.

Em “O bem amado” (1973), Odorico Paraguaçu (Paulo Gracindo), prefeito de Sucupira, era corrupto, demagogo, mas idolatrado pela maior parte da população. Ele se elegeu com a promessa de construir um cemitério, pois não havia um no município. Só que ninguém morria em Sucupira. Odorico, então, lançou mão das maiores artimanhas para não perder o apoio popular e inaugurar o cemitério.

Em “Roque Santeiro” (1985), Ary Fontoura era Florindo Abelha, prefeito de Asa Branca dominado por Viúva Porcina (Regina Duarte), Sinhozinho Malta (Lima Duarte) e até pela mulher, a beata Pombinha (Eloísa Mafalda). Já em “Tieta” (1989), o ator viveu Artur da Tapitanga (no detalhe), mandachuva de Santana do Agreste. Ele vivia cercado de meninas que adotava e ensinava a ler em troca de sexo.

O simplório Sassá Mutema (Lima Duarte), de “O salvador da pátria” (1989), passou a chamar atenção dos políticos locais, que desejavam que ele se tornasse prefeito de Tangará. Eles viam no ingênuo boia-fria um possível defensor de seus interesses. Com o apoio de pessoas influentes, Sassá venceu as eleições. Mas rompeu com os aliados, conquistando posição política independente.

Kleber Vilares (Cecil Thiré) era o governante do município de Resplendor, em “Pedra sobre pedra” (1992). Dentista, dedicava parte de seu tempo ao consultório, onde arrancava informações dos clientes na base do boticão. Eleito com o apoio do poderoso Murilo (Lima Duarte), ele sabia que não seria reeleito. Então, aproveitava para vender dentaduras financiadas pela prefeitura aos pobres.

José Wilker era Demóstenes Maçaranduba, governante de Tubiacanga, em “Fera ferida” (1993). No passado, fora assessor do prefeito, Feliciano (Tarcísio Meira), e o traiu. Continuou ainda mais inescrupuloso sentado na cadeira mais poderosa da cidade, mas era esperto e eloquente. Tinha um caso com Rubra Rosa (Susana Vieira), autora de seus discursos e mulher do vereador Numa (Hugo Carvana).

Em “A indomada” (1997), Ypiranga Pitiguary (Paulo Betti) era o prefeito de Greenville, que comia na mão do sogro, Pitágoras (Ary Fontoura). Ele fazia questão de ser polêmico, com as mais estapafúrdias decisões políticas. Por isso, ganhou fama de maluco e ainda tinha ataques histéricos. Flertava com a canalhice, mas não chegava a ser um vilão. Gostava de parecer moderninho, usando jaquetas da moda.

Um vilão de carteirinha não poderia ser um bom prefeito. Félix Guerreiro, de “Porto dos Milagres” (2001), era corrupto e autoritário, constantemente atacado pelo grupo de pescadores da cidade, insatisfeitos com seus desmandos. Enquanto ele governava o município de olho em cargos políticos maiores, Adma (Cássia Kis), sua mulher, fazia tudo para manter o poder do marido, eliminando qualquer ameaça.

Reginaldo, de “Senhora do destino” (2004), era vereador de Vila de São Miguel, município fictício da Baixada, e se tornou prefeito após a emancipação do local, por meio de um plebiscito. Aproveitava o prestígio da mãe, Maria do Carmo (Susana Vieira), uma mulher honesta, para angariar a simpatia do povo. Demagogo e corrupto, usou a máquina pública a seu bel prazer, mas acabou sendo desmascarado.

Aderbal Pimenta (Marcos Palmeira) era o prefeito recém-eleito da cidade fictícia de Jatobá, no estado do Rio, em “Babilônia” (2015). Parte de seu eleitorado era evangélico e, por isso, o político era um falso moralista. Fora dos holofotes, traía a mulher. Conseguiu ser eleito governador e tinha a mãe, Consuelo (Arlete Sales) como vice. Mas foi preso no dia da posse, e sua mãe assumiu o poder.

Em “O sétimo guardião”, Eurico (Dan Stulbach) era a autoridade máxima de Serro Azul. Ambicioso, carismático e vaidoso, queria deixar o legado de ter levado a tecnologia ao município. Além disso, tinha aspirações políticas maiores: desejava um cargo em Brasília. Passou boa parte da trama se dizendo honesto, mas era mentira: corrupto, desviou R$ 52 milhões, que ele escondia em um depósito.