Políticos pró-Pequim evitam falar sobre derrota no pleito

HONG KONG, CHINA (FOLHAPRESS) - A reportagem buscou a opinião de políticos do DAB (Aliança Democrática pela Melhoria e o Progresso de Hong Kong), o maior partido pró-Pequim, sobre a crise que escorraçou a sigla do poder local. Obteve um não da agremiação, cujo setor de comunicação alegou falta de tempo de representantes para expressar suas visões sobre o momento político. A reportagem entrou em contato com Ting Ting, conselheira local eleita pelo conselho de Islands, o único em que o DAB manteve o poder em Hong Kong. Considerada linha-dura na sua defesa de Pequim, ela afirmou que não poderia conceder entrevistas. Na segunda (25), a liderança do partido pediu desculpas ao eleitorado por não ter oferecido soluções para a crise e ofereceu sua renúncia, que acabou não sendo aceita. Isso é normal em tempos de derrota. O fato é que o campo pró-Pequim reteve cerca de 40% do eleitorado, e isso é sinal forte de que não pode ser tratado como minoria qualquer. "Eu votei no DAB, como sempre votei. Não gosto dos protestos, eles trouxeram danos à economia da cidade", afirmou Jimmy, que pediu para não ter o sobrenome publicado, economista que trabalha num dos maiores bancos ocidentais de Hong Kong. No distrito em que mora em Kowloon, o DAB perdeu todos os assentos que tinha. "É uma pena, pois no fundo essas crianças não saberão o que fazer com o poder que ganharam. Mas temos de ver o longo prazo, e não interessa a Pequim perder Hong Kong. Tudo irá se acomodar", disse. Concorda com ele Kai, sua colega. "Não acredito que essa conversa de independência possa levar a qualquer lugar bom, não é racional achar que a China deixará de ser comunista da noite para o dia."

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