Polônia pedirá permissão à Alemanha para entregar tanques Leopard à Ucrânia

A Polônia disse nesta segunda-feira (23) que pedirá permissão à Alemanha para fornecer à Ucrânia tanques de guerra Leopard de fabricação alemã, mas disse que está disposta a fornecê-los "mesmo" sem o acordo de Berlim, para ajudar Kiev a enfrentar a invasão russa.

Depois de vários dias de crescente pressão sobre Berlim, a ministra das Relações Exteriores da Alemanha, Annalena Baerbock, disse no domingo que a Alemanha não faria objeções se Varsóvia pedisse sua autorização para entregar os tanques à Ucrânia.

"Vamos pedir esse acordo", disse nesta segunda-feira à imprensa o primeiro-ministro polonês, Mateusz Morawiecki.

"Mesmo que não consigamos o acordo deles, daremos nossos tanques à Ucrânia, juntamente com outros países, no âmbito de uma pequena coalizão, mesmo que a Alemanha não faça parte dela", acrescentou o primeiro-ministro.

A Ucrânia criticou a "indecisão global" de seus aliados em fornecer tanques, uma postura que Kiev diz estar "matando mais pessoas".

Neste mês, a Polônia anunciou que estava pronta para enviar 14 tanques Leopard para a Ucrânia, mas aguardava o sinal verde de Berlim sobre o assunto.

O governo alemão, entretanto, insistia na necessidade de todos os aliados trabalharem juntos.

O porta-voz do chefe de Governo alemão, Olaf Scholz, reiterou esta ideia nesta segunda-feira, afirmando que o Executivo "não descarta" a entrega de blindados, mas acrescentou: "isso ainda não está decidido".

Atormentada pela culpa do pós-guerra, a Alemanha tenta se manter discreta, agindo silenciosamente no cenário internacional quando se trata de conflitos.

De acordo com a legislação alemã de controle de armas, a Polônia (e qualquer outro país que compre armas dela) precisa da aprovação de Berlim para entregar tanques Leopard à Ucrânia, porque eles foram fabricados na Alemanha.

Essa lei visa evitar que armas fabricadas na Alemanha acabem sendo usadas em zonas de conflito contra os interesses alemães.

Na sexta-feira, cerca de 50 países concordaram em fornecer à Ucrânia bilhões de dólares em equipamentos militares para combater a invasão russa.

- Soledar, "destruída" -

Um líder da ocupação russa do leste da Ucrânia, Denis Pushilin, disse que visitou Soledar, uma cidade na região de Donetsk, no leste da Ucrânia, que Moscou alegou ter conquistado no início deste mês.

Pushilin, a principal autoridade da Rússia em Donetsk, disse no domingo à noite que visitou, com o deputado russo Zurab Makiev, a cidade devastada pelos combates.

O dirigente publicou um vídeo nas redes sociais em que os dois homens, armados e com uniforme militar, são vistos chegando de carro a Soledar. A AFP não conseguiu verificar o local onde essas imagens foram feitas.

Segundo afirmaram, são os primeiros responsáveis russos a visitar o município, cuja tomada foi anunciada por Moscou em 13 de Janeiro como uma importante vitória.

Nesta segunda-feira, Pushilin disse à televisão estatal russa que Soledar foi "rasgada" e que "quase nenhum prédio inteiro foi deixado de pé".

Segundo o Ministério da Defesa da Rússia, a conquista dessa cidade é um passo importante para expulsar as tropas ucranianas de Bakhmut, uma grande cidade de mineração perto de Soledar.

Pushilin observou que os combates em Bakhmut estão "se intensificando" e afirmou que as tropas russas estavam avançando, com membros do grupo mercenário russo Wagner ocupando posições estratégicas perto de Bakhmut.

"A situação ainda é bastante difícil, mas nossas unidades estão avançando em quase todos os lugares", disse ele.

A Ucrânia não reconheceu oficialmente a perda de Soledar.

- Olho por olho -

No plano diplomático, em mais um sinal das crescentes tensões entre a Rússia e seus vizinhos europeus, a Estônia anunciou nesta segunda-feira que expulsará o embaixador russo em Tallinn, em medida semelhante à adotada horas antes por Moscou, que decidiu expulsar o embaixador da Estônia.

"Respeitamos o princípio da reciprocidade nas relações com a Rússia", disse o Ministério das Relações Exteriores da Estônia em um tuíte, enfatizando que o embaixador russo terá que deixar o país em 7 de fevereiro, mesmo dia em que seu diplomata deve deixar Moscou.

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia disse em nota que reduziria as relações diplomáticas com a Estônia e acusou a república báltica de "total russofobia".

Essas medidas chegam depois que a Estônia expulsou cerca de 20 diplomatas russos mobilizados na embaixada russa em Tallinn, disse Moscou.

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