Polônia relata perdas de US$1,3 tri na 2ª Guerra Mundial e pede reparações da Alemanha

Jaroslaw Kaczynski, líder do partido polonês Lei e Justiça

Por Marek Strzelecki

VARSÓVIA (Reuters) - A Polônia estima suas perdas na Segunda Guerra Mundial causadas pela Alemanha em 6,2 trilhões de zlotys (1,32 trilhão de dólares), disse o líder dos nacionalistas no poder do país nesta quinta-feira, acrescentando que Varsóvia exigirá oficialmente reparações.

Maior parceira comercial da Polônia e integrante da União Europeia e da Otan, a Alemanha já havia dito que todas as reivindicações financeiras relacionadas à Segunda Guerra Mundial foram resolvidas.

A nova estimativa da Polônia supera a de 850 bilhões de dólares feita por um parlamentar do partido governista a partir de 2019. O partido no poder, Lei e Justiça (PiS), repetiu pedidos de indenização várias vezes desde que assumiu o governo em 2015, mas a Polônia não exigiu oficialmente reparações.

"A soma que foi apresentada foi adotada pelo método mais limitado e conservador, seria possível aumentá-la", disse Jaroslaw Kaczynski, líder do Lei e Justiça, em entrevista coletiva.

A postura combativa em relação à Alemanha, frequentemente usada pelo PiS para mobilizar seu eleitorado, estremeceu as relações com Berlim. A abordagem se intensificou depois que a Rússia invadiu a Ucrânia em meio a críticas à dependência de Berlim do gás russo e sua lentidão em ajudar Kiev.

Em 1953, os governantes comunistas da Polônia renunciaram a todas as reivindicações de reparações de guerra sob pressão da União Soviética, que queria libertar a Alemanha Oriental, também um satélite soviético, de qualquer responsabilidade. O PiS diz que o acordo é inválido porque a Polônia não conseguiu negociar uma compensação justa.

"A posição do governo alemão permanece inalterada: a questão das reparações está encerrada", disse um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Alemanha. "A Polônia renunciou a outras reparações há muito tempo, em 1953, e desde então tem confirmado isso repetidamente."

(Reportagem de Alan Charlish, Marek Strzelecki, Anna Wlodarczak-Semczuk, Pawel Florkiewicz em Varsóvia, Thomas Escritt em Berlim)