Polônia tem novo protesto após proibição do aborto com exceções

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Manifestante em Varsóvia, em 28 de janeiro de 2021

Centenas de poloneses protestaram nesta quinta-feira (28) em Varsóvia, armados com tinta vermelha, após a entrada em vigor da polêmica sentença que praticamente proíbe o aborto, apesar das restrições pela pandemia de covid-19.

Em outras cidades do país também houve protestos pela segunda noite consecutiva desde a publicação da sentença do Tribunal Constitucional no Diário Oficial na quarta-feira.

A sentença proíbe a interrupção voluntária da gravidez exceto em casos de estupro, incesto ou risco de vida para a mãe.

"Nós nos reuniremos aqui, já que este Estado pensa que pode se apropriar da nossa liberdade", diz Marta Lempart, uma das principais incentivadoras da Greve das Mulheres, o principal movimento promotor dos protestos, em meio a uma multidão em Varsóvia.

"Estamos fartos" ou "Isto significa guerra" diziam alguns cartazes exibidos pelos manifestantes, que usavam máscaras decoradas com um raio vermelho, o símbolo dos militantes pró-aborto no país.

Alguns jogaram tinta vermelha na sede do Tribunal Constitucional. A polícia deteve várias pessoas que tentavam entrar no prédio, entre elas Klementyna Suchanow, uma das animadoras da Greve das Mulheres, anunciou o movimento no Twitter.

O Tribunal Constitucional proibiu em outubro a interrupção voluntária da gravidez em caso de má-formação grave do feto, ao considerar que é "incompatível" com a Constituição.

Este anúncio provocou grandes manifestações no país, levando o governo a suspender temporariamente a publicação da sentença.

A Polônia, país majoritariamente católico, tem uma das legislações mais estritas da Europa no que diz respeito ao aborto.

Atualmente, são contabilizados 2.000 abortos legais a cada ano, segundo dados oficiais. Mas as organizações feministas estimam que anualmente sejam realizados cem vezes mais, uns 200.000, de forma ilegal ou no exterior.

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