Polônia teme escalada de crise migratória na fronteira com Belarus

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(Outubro) Refugiada conversa com ativista do Grupo Fronteiriço em floresta próxima a Kleszczele, Polônia (AFP/Wojtek Radwanski)

Autoridades polonesas manifestaram nesta segunda-feira preocupação com a aglomeração de milhares de migrantes na fronteira com Belarus, no limite oriental da União Europeia (UE), que denuncia "táticas inaceitáveis" de Minsk.

"Forças do Ministério do Interior e soldados conseguiram conter uma primeira tentativa de cruzar a fronteira em massa", informou no Twitter o Ministério da Defesa polonês. Horas antes, o governo da Polônia havia alertado para a presença de um grupo de milhares de migrantes que, escoltados por forças bielorrussas, dirigiam-se à fronteira entre os dois países, foco de tensão há meses.

Vídeos mostravam grupos de centenas ou milhares de migrantes caminhando por uma estrada ou observando a fronteira, protegida por agentes poloneses.

A UE acusa o presidente de Belarus, Alexander Lukashenko, de promover a chegada por via aérea de migrantes do Oriente Médio e da África a Minsk, para enviá-los ao território comunitário, em represália pelas sanções impostas por Bruxelas depois da brutal repressão do governo bielorrusso à oposição.

"Tememos uma escalada desse tipo de ação na fronteira polonesa em um futuro próximo, e de natureza armada", declarou o porta-voz do governo polonês, Piotr Muller.

Em Bruxelas, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que "a instrumentalização de migrantes com fins políticos por Belarus é inaceitável". Ela pediu a ampliação das sanções contra aquele país e informou que está em estudo uma forma de punir também as companhias aéreas que transportam os migrantes a Minsk.

Estados Unidos e Otan também acusaram Minsk de usar os migrantes para pressionar a UE. O regime de Lukashenko, cuja reeleição em 2020 foi contestada por uma onda de protestos sem precedentes, nega as acusações.

"Essas pessoas, mulheres e crianças, não representam qualquer ameaça à segurança e não há nada de agressivo nelas", disse o oficial do corpo de fronteiras bielorrusso Anton Bychkovsky à agência estatal BelTA. "Segundo esses refugiados, eles se concentraram para formar um grupo bastante grande, a fim de impedir a sua expulsão da Polônia", acrescentou.

A imprensa polonesa divulgou entrevistas com migrantes que contradiziam essa versão e explicavam que os bielorrussos os obrigavam a cruzar a fronteira.

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