Polêmica na educação e desejo por armas nucleares marcam semana de Bolsonaro

(Foto: Reuters/Ricardo Moraes)

Por Renato C. Abreu

Após o anúncio do contingenciamento (não pode falar cortes porque o governo diz que é fake news), de até 30% do orçamento das universidades federais imposto pelo MEC (Ministério da Educação), o presidente Jair Bolsonaro (PSL) teve uma semana intensa.

Em meio a protestos em todo o país promovido por estudantes e professores, Bolsonaro viajou aos Estados Unidos, onde recebeu homenagens e promoveu novas polêmicas e claro, memes. Em reação às manifestações, Bolsonaro afirmou que elas são formadas por “idiotas inúteis e imbecis”, que estariam sendo utilizados como massa de manobra por militantes de esquerda.

“Se você perguntar quanto é sete vezes oito, não sabe...São uns idiotas úteis, uns imbecis que estão sendo usados como massa de manobra de uma minoria espertalhona que compõe o núcleo das universidades federais no Brasil”, disse o presidente diretamente de Dallas.

Em sua tradicional live semanal, Bolsonaro tentou explicar o contingenciamento (dessa vez sem chocolates), afirmando que o país precisa investir em pesquisa para sofisticar sua economia. “O Brasil tem uma economia baseada em commodities. Israel vive porque investiu em ciência e tecnologia e nós não fizemos isso”.

Reitores de universidades federais, entretanto, mostram que os cortes promovidos pelo MEC atingem entre 18% a 54% as verbas destinadas justamente para pesquisa no Brasil. Fica aí a reflexão.

Ainda nos Estados Unidos, Bolsonaro foi questionado sobre o tema da educação por uma repórter da Folha de S. Paulo. O resultado não poderia ter sido diferente. Tire suas próprias conclusões no vídeo abaixo compartilhado pelo presidente.

Após receber o prêmio “Personalidade do ano” nos Estados Unidos, Bolsonaro decidiu adaptar seu famoso slogan para encerrar seu discurso e acabou se atrapalhando e gerando milhares de memes nas redes sociais.

“Brasil e Estados Unidos acima de tudo. Brasil acima de todos”. Aparentemente Deus ficou de fora do bordão original e a internet não perdoou.

Pra que não digam que essa coluna foi criada somente para atacar Bolsonaro, destacamos aqui um ponto para o presidente. Também nesta semana, foi sancionada a lei que permite policiais afastarem agressores de mulheres sem precisar esperar pelo aval da Justiça. A determinação vale para cidades que não possuem juízes e também quando delegados não estiverem disponíveis no momento da denúncia.

Atualmente as medidas protetivas só podem ser aplicadas após uma decisão judicial. A correta medida, entretanto, bate de frente com a flexibilização do porte de armas para a população em um futuro não muito distante. Resta aguardar.

Falando em armas, Carlos Bolsonaro também usou suas redes sociais para promover o assunto entre seus seguidores. Após compartilhar um vídeo mostrando Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, falando sobre o tema, Carluxo defendeu que o Brasil tenha armas nucleares.

A declaração foi dada em um evento da Comissão de Relações Exteriores. Segundo ele, o país seria levado “mais a sério” se tivesse um poder bélico maior. "Se nós tivéssemos aqui os caças Grippens, se nós tivéssemos aqui o pró-sub já finalizado, com os submarinos nucleares que têm autonomia muito maior dentro d'água, se nós tivéssemos um efetivo maior. Enfim, um poder bélico maior, talvez fôssemos levados mais a sério pelo Maduro. Ou temido quem sabe pela China e pela Rússia”, contou.

Além disso, Carlos afirmou que as bombas nucleares podem sim, garantir paz entre nações. "Tem um colega do Paquistão aqui, não tem? Como é que é a relação do Paquistão com a Índia se só um dos lados tivesse uma bomba nuclear? Será que seria da mesma maneira que é hoje? Óbvio que não. Quando um desenvolveu a bomba nuclear, o outro desenvolveu no dia seguinte. E ali está selada ao menos minimamente uma espécie de paz. Eu sou entusiasta dessa visão".

Para encerrar e em clima de declarações polêmicas, como deixar de lado a afirmação do deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PSL) durante uma sessão na Câmara dos Deputados que celebrava os 131 anos da assinatura da Lei Áurea?

“Escravidão de atenienses e espartanos, entre os povos asiáticos, entre tribos africanas. Das tribos indígenas umas com as outras. Independente de raça, mas entre si. Faz parte de um aspecto do ser humano.”, disse o político.

Que semana.