Polícia Civil prende médico renomado no Guarujá suspeito de integrar o PCC

Primeiro Comando da Capital  estabelece
Primeiro Comando da Capital estabelece "tribunais do crime": sistema paralelo de julgamento e punição aplicados a todos aqueles que prejudiquem os negócios da facção. (Foto: AFP/Getty Images).

O médico Alexandre Pedroso Ribeiro, 54, foi preso pela Polícia Civil acusado de atuar em favor do "tribunal do crime" do PCC (Primeiro Comando da Capital). O renomado ortopedista teria facilitado o assassinato de um paciente que estava internado no hospital Santo Amaro, em Guarujá, onde o mesmo atuava. A informação é do colunista Josmar Jozino, do UOL.

De acordo com a Polícia Civil, Gilianderson dos Santos, 37, estava internado no Santo Amaro na manhã do último dia 24 depois de ter escapado de um atentado. As imagens de segurança do local registraram o momento em que dois homens usando capacetes de motoqueiros entram no hospital e disparam vários tiros contra o paciente que estava em uma cadeira de rodas.

Os suspeitos pelo homicídio foram identificados como Sandro Vieira da Conceição, 30, e Vitor Hugo Assunção, 26, e já tinham sido anteriormente condenados por roubos e tráfico de drogas. Eles também tiveram a prisão temporária de 30 dias decretada pelo juiz Edmilson Rosa dos Santos, da 3ª Vara Criminal do Guarujá, que em seu despacho avaliou que "os suspeitos possuem históricos criminais e envolvimento com o narcotráfico, delinquência controlada pela facção PCC, que por vezes realiza os chamados tribunais do crime".

As investigações da Polícia Civil revelaram que Alexandre aparentava estar nervoso e inquieto no dia do crime. Ele teria ainda pressionado seus colegas a darem alta a Gilianderson antes que o paciente tivesse sido submetido a exames. Além disso, o médico fez diversos telefonemas antes do crime, sendo um deles para um número que está registrado em nome da esposa de Sandro, um dos prováveis atiradores.

As câmeras do hospital mostraram que pouco antes do homicídio, o médico fumava na sala onde a vítima se recuperava. Ele então sai e depois retorna para logo em seguida entrarem os atiradores que dispararam à queima roupa.

Além de ter sido preso, o médico Alexandre Pedroso Ribeiro teve a quebra dos seus sigilos telemáticos autorizados pela Justiça.

Envolvimento desde 2018

O ortopedista é investigado desde 2018 pelo Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais), da Polícia Civil. Ele é acusado de envolvimento em lavagem de dinheiro para Wagner Ferreira da Silva, o Cabelo Duro, considerado um dos maiores narcotraficantes ligados ao PCC. Cabelo Duro liderou, em fevereiro de 2018, os assassinatos de Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue, e Fabiano Alves de Souza, o Paca, na região metropolitana de Fortaleza (CE). Os dois eram da cúpula do PCC e foram acusados de desviar dinheiro da facção.

Após uma semana do duplo homicídio no Ceará, Cabelo Duro foi morto em uma emboscada no bairro do Tatuapé, em São Paulo.

Nas investigações o Deic ouviu várias pessoas próximas a Cabelo Duro e o médico foi um dos que prestaram depoimento.

Os policiais suspeitavam que uma requintada embarcação em nome do médico era na verdade de Cabelo Duro. Entretanto, os advogados do ortopedista entraram com habeas corpus na Justiça, solicitando a suspensão do indiciamento. A alegação foi que o cliente é um médico renomado no Guarujá, de família de classe alta e irmão de um famoso empresário ligado ao futebol.

A defesa alega que Alexandre é inocente e nunca se envolveu com o PCC.

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