Polícia sai na frente na corrida para prefeitura do Rio

Matheus Pichonelli
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The Mayor of the city of Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, talks about the ''lockdown'' during a press conference at the Field Hospital, for the treatment of patients with the corona virus, Covid 19, in Rio Centro, west of the city, on May 12, 2020.  (Photo by Fabio Teixeira/NurPhoto via Getty Images)
O prefeito do Rio, Marcelo Crivella. Foto: Fabio Teixeira/NurPhoto via Getty Images

Não perca as contas.

Em menos de 15 dias, a Polícia Federal foi a campo e um ministro do Superior Tribunal de Justiça afastou do cargo o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC) por suspeita de corrupção. A decisão foi confirmada uma semana depois pela maioria dos ministros da Corte Especial do STJ.

Na terça-feira 8, foi a vez da Polícia Civil e do Ministério Público cumprirem mandados de busca e apreensão na casa do ex-prefeito da capital Eduardo Paes (DEM). Paes, que tenta voltar à prefeitura, classificou a ação como uma “tentativa clara de interferência do processo eleitoral -- da mesma forma que ocorreu em 20187 nas eleições para o governo do estado”. Ele e outros quatro investigados são suspeitas dos crimes de corrupção, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.

Candidato à reeleição, o prefeito Marcelo Crivella (Republicanos) mal teve tempo de sorrir. Dois dias depois de a polícia bater na porta do adversário, ele também recebeu em sua casa e em seu gabinete a visita de agentes da polícia e do MP fluminense em uma ação que investiga um suposto esquema de cobrança de propina para a prefeitura.

Por ordem judicial, Crivella teve de entregar o celular aos agentes antes de cumprir agenda externa.

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Ele se tornou alvo dos agentes por um motivo exótico. Durante a primeira fase da operação, denominada Hades, Crivella telefonou para o irmão de um investigado no momento em que a Polícia Civil e o MP cumpriam mandados de busca e apreensão na Riotur, um dos pivôs do suposto esquema. Quem atendeu foi o delegado.

A sequência de ações dá a dimensão do clima para a campanha à prefeitura da antiga capital neste ano.

Witzel, por razões óbvias, foi dispensado dos serviços de cabo eleitoral.

Paes, um dos favoritos a desbancar o atual prefeito, terá de pedir votos enquanto responde a uma denúncia do MP-RJ.

E o atual prefeito, que será oficial e extraoficialmente apoiado pelo clã Bolsonaro, terá de rezar para reaver logo seu aparelho.

(Falta questionar que lugar do mundo uma autoridade eleita é obrigada a entregar seu celular por ordem judicial, goste-se ou não desta autoridade -- por muito menos Bolsonaro ameaçou, segundo a revista piauí, DISSOLVER o Supremo Tribunal Federal).

O Rio, vale lembrar, é a base eleitoral da família Bolsonaro. Em abril, o presidente precisou demitir seu ministro mais popular, Sergio Moro, para fazer valer sua vontade e mudar o comando da PF local.

Com a aproximação com o atual governador Cláudio Castro, Bolsonaro pode obter influência em uma área de grande interesse. É na esfera estatual que correm os processos relativos à investigação sobre seus filhos. E é Castro quem escolherá o próximo procurador-geral do estado.

Fato é que, na corrida para a prefeitura da segunda maior cidade do país, a polícia saiu na frente.

Como uma temporada de reality show, cada dia é um candidato (ou cabo eleitoral, caso do governador afastado) que vai ao paredão.

Quantos restarão?

A diferença entre um jogo e outro é que, na vida real, os milhões já foram devidamente gastos e distribuídos, segundo a polícia, antes mesmo da fase final.