Polícia é chamada para evitar saque e detém funcionários negros da loja em ato nos EUA

Policiais algemam, por engano, três funcionários negros da loja por confundi-los com saqueadores. (Foto: Reprodução/FoxNews)

Funcionários de uma loja de bebidas foram detidos por oficiais de polícia ao serem confundidos com saqueadores, durante protestos contra a violência policial no bairro de Van Nuys, em Los Angeles, na Califórnia, nos Estados Unidos, na segunda-feira (1).

O momento em que os três funcionários - dois homens e uma mulher, todos negros - foram abordados e algemados foi capturado ao vivo pela emissora Fox News, que cobria os atos contra a morte de George Floyd pelas mãos da polícia.

Leia também

Em um vídeo com pouco mais de 5 minutos, a repórter da Fox News acompanhou quando saqueadores, a pé e em dois carros, se aproximaram da loja de bebidas, localizada ao lado de uma loja de compra e venda de ouro.

Baixe o app do Yahoo Mail em menos de 1 min e receba todos os seus emails em 1 só lugar

Assista:

Os funcionários da loja da bebidas teriam informado então que a loja de ouro estaria fechada e recomendou que fossem embora. Diante da negativa do grupo, os funcionários da loja de bebida saíram armados e voltaram a ordenar que os saqueadores se afastassem.

Ao mesmo tempo, parte dos funcionários, e inclusive a equipe de reportagem, tentava sinalizar para os policiais que faziam o patrulhamento que ali havia uma suposta tentativa de saque à loja.

Quando duas viaturas da L.A.P.D. (Los Angeles Police Department) chegaram ao local, os policiais saíram detendo à esmo os três funcionários, que são colocados contra os tapumes de proteção, revistados e algemados.

A repórter tenta, insistentemente, explicar aos oficiais que eles estavam prendendo as pessoas erradas e ouve do policial que “eles já estão algemados, mantenha a calma, descreva os suspeitos e em quais carros eles estavam”. Ao fim do vídeo, os três são soltos pela polícia.

Uma semana depois da morte de George Floyd, um homem negro de 46 anos que foi asfixiado por um policial branco em Minneapolis após a detenção, os protestos acontecem de costa a costa nos Estados Unidos. As manifestações, pacíficas em sua maioria, resultaram em distúrbios generalizados. Segundo levantamento da agência AP, mais de 5.600 pessoas foram presas desde o início dos protestos.

Na segunda-feira, o presidente Donald Trump prometeu restaurar a ordem e ameaçou os estados com a mobilização dos militares. Em tom firme, pediu que os governadores e prefeitos usem as forças da Guarda Nacional em número suficiente para conter as ruas.

"Se uma cidade ou estado se recusar a tomar as medidas necessárias para defender a vida e a propriedade de seus residentes, então implantarei as forças armadas dos Estados Unidos e rapidamente resolverei o problema para eles."

Houve protestos também em frente à Casa Branca, que seguiam de forma pacífica, mas foram dispersados com bombas. Grande parte das manifestações transcorre de forma tranquila durante o dia, mas o cair da noite divide os grupos e tem mudado o clima em muitas regiões.

A MORTE DE GEORGE FLOYD

Desde o início da semana passada, milhares de pessoas pedem justiça pela morte de George Floyd.

Negro e desarmado, o ex-segurança de 46 anos teve o pescoço prensado contra o chão por quase nove minutos pelo joelho de um policial branco em Minnesota. O agora ex-policial Derek Chauvin foi preso na sexta-feira (29) e transferido no domingo para uma prisão de segurança máxima, onde espera julgamento.

O agente já foi objeto de 18 inquéritos disciplinares, dos quais 16 foram encerrados sem nenhum tipo de punição. Ele foi demitido da polícia logo após o episódio vir à tona.

Nesta segunda, médicos independentes apontaram que Floyd foi morto por "asfixia mecânica", o que difere do relatório divulgado pela polícia anteriormente. A ação, gravada por testemunhas que passavam pelo local, viralizou nas redes sociais e mobilizou o país.

Os atos contra a violência sistemática da polícia têm escancarado mais uma vez as desigualdades e o racismo estrutural que atravessa as instituições americanas.

Eles ganham força no momento em que o país sofre com a pandemia do coronavírus, que já matou mais de 100 mil pessoas e mergulhou os americanos -principalmente os negros- em uma combinação de crise econômica e de saúde pública sem precedente.

com informações da FolhaPress