Polícia é responsável por 60% dos casos de violência registrados em cinco estados

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PM de São Paulo imobiliza homem negro que participava de manifestação contra a morte de um jovem da comunidade do Moinho. (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)
PM de São Paulo imobiliza homem negro que participava de manifestação contra a morte de um jovem da comunidade do Moinho. (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)
  • Estudo da Rede de Observatórios da Violência monitorou cerca de 31,3 mil dados de 2019 a 2021 nos estados da Bahia, Ceará, Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo

  • Polícia foi responsável por 18 mil casos de violência registrados no período. Ao todo foram 2.130 mortos

  • Levantamento também traz dados de crimes de racismo, intolerância religiosa, feminicídio e LGBTfobia

Texto: Juca Guimarães

Durante dois anos a Rede de Observatórios da Violência monitorou cerca de 31,3 mil dados apurados na imprensa, em redes sociais e fontes da sociedade civil organizada dos estados da Bahia, Ceará, Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo, divididos em 16 indicadores de segurança pública e violência.

Em quase 60% dos casos, segundo o estudo, a violência acontece em ações policiais. Foram cerca de 18 mil eventos violentos registrados entre maio de 2019 e junho de 2021. O número de mortos em operações policiais no período nesses estados chegou a 2.130, além de 1.615 feridos.

No Rio de Janeiro, mesmo com a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) de suspender as operações sem justificativa durante a pandemia da Covid-19, foram assassinadas 827 pessoas em ações policiais e outras 727 ficaram feridas.

O levantamento também mostra o número de policiais vítimas de violência nos últimos dois anos. Foram 901 mortes e em 719 casos, cerca de 79,8%, não tinha identificação de raça/cor. Dos cerca de 20% de casos com dados raciais das vítimas, 83 eram negras e 99 eram brancas.

Nos primeiros cinco meses de 2021, houve aumento generalizado no número de casos de violência monitorados pela Rede. O número de ações de policiamento cresceu 13%, de 6% nos eventos envolvendo armas de fogo e aumento de 26% no número de casos de violência contra a mulher e feminicídios. Pernambuco foi o estado que registrou o maior aumento de casos (77%), seguido de São Paulo (39%) e Rio de Janeiro (23%).

“Depois de dois anos operando em cinco estados, amadurecendo o trabalho e nossa metodologia, entendendo que as questões estruturais do racismo, do machismo e também de classe, a base da herança colonial do Brasil, recortam todos os 16 indicadores que monitoramos”, diz um trecho do estudo.

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Crimes de racismo e intolerância religiosa

Ao todo, foram 144 casos de racismo ou injúria registrados entre maio de 2019 e junho de 2021. O estado com mais casos de racismo foi São Paulo, com 67, seguido do Rio de Janeiro, com 41 casos e na Bahia foram 21. Em Pernambuco foram seis e no Ceará foram nove

No período foram contabilizados 29 casos de intolerância religiosa,12 em São Paulo e sete no Rio de Janeiro. O Ceará teve seis casos monitorados de intolerância religiosa e a Bahia quatro.

Violência contra mulher e comunidade LGBTQIA+

Em dois anos foram registrados 3.346 casos de feminicídio ou violência contra a mulher e 194 casos monitorados de violências contra a população LGBTQIA+. Foram 22 casos na Bahia, no Ceará foram 50 casos e em Pernambuco foram 15 casos. No Rio de Janeiro foram 26 casos e em São Paulo foram 81 casos.

As motivações das violências contra a população LGBTQIA+ revelam que a cada 10 vítimas, quatro estão relacionadas à LGBTfobia e aos crimes de ódio, e que esses crimes são protagonizados majoritariamente por desconhecidos.

O Ceará é o estado onde a violência decorrente de LGBTfobia tem alcançado essa população cada vez mais cedo, tendo sido registrados casos contra adolescentes em 2020 e 2021. Moradora do município de Camocim, região Norte do Ceará, Keron Ravach, de apenas 13 anos, tornou-se a adolescente trans mais nova a ser assassinada no estado.

Segundo a Rede de Observatório, o crime ocorreu em janeiro de 2021. Na Região do Cariri, duas jovens trans também foram vítimas de transfeminicídio. Luana e Pietra Valentina, de 20 e 16 anos, respectivamente, perderam suas vidas em abril de 2021 em decorrência de suas identidades de gênero.

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