PF realiza operação em escritórios da Precisa Medicamentos em SP; Empresa é investigada pela CPI da Covid

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Foto: AP Photo/Anupam Nath
Foto: AP Photo/Anupam Nath
  • Agentes da PF realizam busca e apreensão em dois endereços da empresa em SP

  • Precisa realizou intermediação entre Min. da Saúde e farmacêutica a aquisição da vacina Covaxin, que nunca chegou ao país

  • Ação foi solicitada pela CPI e teve aval do STF para ser realizada

A Polícia Federal cumpre mandados de busca e apreensão na sede da Precisa Medicamentos na manhã desta sexta-feira (17), em dois endereços na Grande São Paulo, nas cidades de Barueri e Itapevi. 

A empresa que atua no ramo da saúde ganhou as manchetes nacionais após virar um dos focos da CPI da Covid no Senado Federal. Foi a Precisa que intermediou a compra de doses da vacina Covaxin entre o Ministério da Saúde e a farmacêutica Bharat Biotech.

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A ação, inclusive, foi pedida pela própria cúpula da CPI. Dias Toffoli, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), deu aval à operação que se iniciou às 6h da manhã desta sexta.

Agentes buscam documentos nos endereços que abrigam escritórios da empresa, além de um local de armazenamento de distribuição de produtos. 

O senador Randolfe Rodrigues, vice-presidente da CPI, manifestou-se sobre a ação em uma rede social. O parlamentar garante que a Comissão tentou outros meios de obter informações sem fazer uso de uma ação da PF. 

"(...) a CPI tentou de todas as formas obter essas informações e não logrou êxito. Fez-se necessário, para prosseguimento das apurações, a utilização deste instrumento judicial", escreveu o parlamentar. 

CPI apura pressão do governo para liberar imunizante

Foto: EVARISTO SA/AFP via Getty Images
Foto: EVARISTO SA/AFP via Getty Images

O contrato de R$ 1,6 bilhão para a compra de 20 milhões de doses da Covaxin é alvo do Ministério Público Federal, da Polícia Federal e do Tribunal de Contas da União por supostas irregularidades.

Após ganhar os holofotes na CPI, que investiga uma possível pressão de nomes do governo de Jair Bolsonaro (sem partido) para liberar o imunizante no país. Por diversas suspeitas de ilegalidades nas tratativas, a aquisição da Covaxin acabou suspensa. 

A CPI apura as supostas pressões do governo para liberação do imunizante, além das suspeitas de irregularidades no contrato. A aquisição da vacina acabou suspensa.

Leia, na íntegra, posicionamento da CPI

Desde às 06h de hoje (17), a Polícia Federal realiza operação de BUSCA E APREENSÃO na sede da PRECISA COMERCIALIZAÇÃO DE MEDICAMENTOS LTDA., nos endereços Avenida Tamboré, nº 267, 28º andar, Barueri - SP e Avenida Portugal, nº 1100, Bairro Itaqui, Itapevi – SP.

A operação é cumprimento de solicitação realizada pela Comissão Parlamentar de Inquérito do Senado Federal para apurar ações e omissões no enfrentamento da Pandemia da COVID-19 no Brasil (CPI da Pandemia), sob decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal, através de sua Excelência, o Ministro Dias Toffoli.

A operação destina-se à busca e apreensão de informações relativas ao contrato entre a Precisa Medicamentos e a Empresa Indiana Bharat Biotech, assim como todos os documentos relacionados a este contrato.

A CPI buscou de todas as formas obtenção dessas informações junto à Empresa e ao Ministério da Saúde, não obtendo êxito. Devido a isso, se fez necessária a utilização deste instrumento judicial.

Senador Omar Aziz (Presidente da CPI da Pandemia)
Senador Randolfe Rodrigues (vice-presidente)
Senador Renan Calheiros (Relator)

O que diz a Precisa Medicamentos

"É inadmissível, num estado que se diz democrático de direito, uma operação como essa de hoje. A empresa entregou todos os documentos à CPI, além de três representantes da empresa terem prestado depoimento à comissão. Francisco Maximiano, por exemplo, prestou depoimento e respondeu a quase 100 perguntas, enviou vídeo com esclarecimentos, termo por escrito registrado em cartório, além de ter sido dispensado de depor por duas vezes pela própria CPI, em 1° de julho e 14 de julho.

Além disso, seus representantes, sempre que intimados, prestaram depoimentos à PF, CGU, além de ter entregue toda documentação ao MPF e TCU.

Portanto, a operação de hoje é a prova mais clara dos abusos que a CPI vem cometendo, ao quebrar sigilo de testemunhas, ameaçar com prisões arbitrárias quem não responder as perguntas conforme os interesses de alguns senadores com ambições eleitorais e, agora, até ocupa o Judiciário com questões claramente políticas para provocar operações espalhafatosas e desnecessárias. A CPI, assim, repete o modus operandi da Lava Jato, com ações agressivas e midiáticas, e essa busca e apreensão deixará claro que a Precisa Medicamentos jamais ocultou qualquer documento.

Ticiano Figueiredo e Pedro Ivo Velloso, advogados da Precisa Medicamentos".

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