Polícia indicia mãe por suspeita de assassinar filho de 3 anos em SP e pede preventiva: 'Crueldade'

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Gael de Freitas Nunes foi encontrado pela tia-avó já desacordado na cozinha do apartamento (Foto: Reprodução)
Gael de Freitas Nunes foi encontrado pela tia-avó já desacordado na cozinha do apartamento (Foto: Reprodução)
  • A Polícia Civil indiciou uma mulher de 37 anos por suspeita de assassinar o filho, Gael de Freitas Nunes, de 3 anos, em São Paulo, na última segunda (10)

  • A investigação também pediu à Justiça a conversão da prisão em flagrante da mãe para a prisão preventiva

  • De acordo com a polícia, a mãe teve um surto psicótico; B.O. diz que mãe não está fazendo tratamento psiquiátrico e não há nenhum diagnóstico confirmado

A Polícia Civil indiciou uma mulher de 37 anos por suspeita de assassinar o filho, Gael de Freitas Nunes, de 3 anos, em São Paulo. A investigação também pediu à Justiça a conversão da prisão em flagrante da mãe para a prisão preventiva. Agora, deve-se aguardar uma decisão judicial a respeito do pedido.

A mãe de Gael estava detida desde a madrugada desta terça-feira (11) sob a suspeita de ter cometido as agressões que levaram à morte do menino na manhã desta segunda-feira (10). De acordo com a polícia, a mãe teve um surto psicótico.

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Segundo a polícia, a mulher prestou depoimento na 1º Delegacia de Defesa da Mulher por volta da meia-noite desta terça, e às 5h30 foi levada para o 89ºDP, no Portal do Morumbi, que tem uma carceragem feminina. O depoimento não foi divulgado.

No boletim de ocorrência consta que Gael foi encontrado desacordado na cozinha pela tia-avó. No local, estava mãe do menino. A criança morava com a mãe, com a tia-avó e a irmã de 13 anos. 

Quando o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) chegou ao local, o menino estava em parada cardiorrespiratória. A equipe médica levou Gael ao hospital enquanto tentava reanimá-lo. No local, foi constatada a morte da criança.

Marcas de agressão

Segundo o registro policial, médicos que o atenderam contaram que o menino tinha sinais de maus-tratos pelo corpo. O documento informa que ele tinha marcas de agressões na cabeça. A 1ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), no Cambuci, apreendeu um anel da mãe porque, segundo os investigadores, ele é compatível com uma lesão na testa da criança.

O motivo do crime ainda é investigado pela polícia, que requisitou câmeras de segurança do prédio onde a família morava para saber se elas gravaram algo que possa contribuir para o esclarecimento do caso.

Segundo a polícia, o advogado da mãe do menino, Sérgio Henrique Sarmento Barros, havia pedido que sua cliente fosse solta e encaminhada para internação compulsória num hospital psiquiátrico. 

De acordo com testemunhas, a mulher teria tido um surto psicótico antes de cometer o crime e ainda teria tentado se suicidar em seguida, bebendo um produto de limpeza.

Mas, de acordo com o G1, a delegada Camila Safe Maier Hage prendeu a mulher nesta terça-feira (11) após interrogá-la. Ela também pediu à Justiça que a mãe fique detida até seu eventual julgamento pelo assassinato do filho.

"Demonstra a crueldade com que a autora agiu em face de seu filho", informa trecho do boletim de ocorrência do caso, que atribuiu à Justiça a decisão de realizar algum exame de insanidade mental na mulher. " [A mulher] não está fazendo nenhum tratamento psiquiátrico e não há nenhum diagnóstico confirmado."

Mãe teria passado por surto

De acordo com a Polícia Militar, que foi acionada pelo Samu, a mãe teria passado por um surto psicótico. Ela foi encaminhada até o Hospital do Mandaqui, na Zona Norte, para ser medicada, na manhã de segunda-feira (10).

Segundo o G1, o médico do Samu que fez o atendimento da criança no local, Washington Canedo, contou que tentou falar com a mãe de Gael para saber o que tinha acontecido, mas ela também não respondeu.

"A mãe, o tempo inteiro, encontrava-se na cozinha. Nossa equipe tentou diversas vezes coletar informação, mas acho que devido ao trauma, ao choque, à situação toda, ela não estava responsiva. Quem nos dava informação era somente a avó e a irmã menor de idade", afirmou na noite de segunda-feira.

Em nota, a Santa Casa de São Paulo informou que a criança chegou ao hospital "em processo de reanimação pela equipe do SAMU e permaneceu em reanimação pela equipe médica do hospital, sendo constatado óbito na sequência".

A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo disse que a mãe foi encontrada em estado de choque e levada para um hospital psiquiátrico após o menino ser socorrido.

Depoimento da tia-avó

A tia-avó do garoto afirmou à polícia ter dado mamadeira para a criança, por volta das 9h. Logo em seguida, o menino foi para a cozinha, onde estava a mãe. No apartamento moravam os três e a irmã do garoto, uma adolescente.

A idosa afirmou que ouviu o menino chorar, logo após ele ir para a cozinha, e pensou que a criança pedia colo. Por isso, chamou o garoto de volta à sala, para assistir r desenhos animados. Porém, ainda segundo disse a aposentada à polícia, a mãe do garoto pediu que ele ficasse com ela.

No depoimento, a idosa disse que cerca de cinco minutos depois ouviu barulho de batidas na parede, que imaginou serem no vizinho. Neste instante, segundo o relato, a criança parou de chorar.

A tia-avó afirmou que, entre dez e 15 minutos se passaram, quando ouviu barulho de vidros quebrados na cozinha. A idosa disse à polícia que foi até lá e encontrou o menino deitado no chão, coberto por uma talha de mesa, e com vômito por perto.

Em seu relato, a idosa disse que retirou a toalha de cima do garoto e perguntou o que havia acontecido. A mãe da criança, porém, teria ficado de cabeça baixa, "e não pronunciou nenhuma palavra", segundo o depoimento da tia-avó.

"A depoente [tia-avó] percebeu que o menino já estava sem vida e levou-o para o quarto dele", diz trecho de boletim de ocorrência.

Idosa tentou impedir que a irmã de Gael percebesse a morte

A idosa pediu para que a irmã da criança ligasse para o Samu, tentando evitar que a adolescente percebesse que o irmão estava morto, segundo afirmou à polícia.

Ao chegar ao local, os socorristas encontraram o menino desacordado, no chão da cozinha, com sinais de violência. Eles realizaram procedimentos de reanimação, como massagem cardíaca, de acordo com registro policial, mas a criança não reagiu.

A polícia afirma que a mãe do garoto foi encontrada em estado de choque no banheiro, sob o chuveiro. Ela foi levada a um pronto-socorro, para a ala de tratamento psiquiátrico. Já a criança foi encaminhada para a Santa Casa, onde sua morte foi confirmada.

Segundo a tia-avó, a mãe do menino já foi internada quatro vezes após começar a tomar medicamentos para emagrecer. A última internação ocorreu há cerca de sete anos. A idosa não soube informar se a mãe do menino faz tratamento psiquiátrico atualmente.

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