Polícia investiga ameaça de morte e racismo vindo de 'juventude hitlerista' contra vereadora de Joinville

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Ana Lúcia Martins é a primeira vereadora negra eleita em Joinville - Foto: Divulgação
Ana Lúcia Martins é a primeira vereadora negra eleita em Joinville - Foto: Divulgação

A Polícia Civil de Joinville, em Santa Catarina, investiga uma denúncia de racismo e ameaça de morte contra a vereadora eleita Ana Luciana Martins (PT), primeira negra da história da Câmara municipal da cidade. As informações são do Estado de S. Paulo.

Ana foi alvo de ataques racistas nas redes sociais depois de ter sido eleita no último domingo (15). Um perfil falso, que se diz membro da “juventude hitlerista”, publicou mensagens de ódios e com ameaças de morte. “Agora só falta a gente matar ela e entrar o suplente que é branco (sic)", afirmava uma das mensagens.

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A vereadora eleita registrou um boletim de ocorrência nesta quarta-feira (18) e deve prestar um depoimento na delegacia. A petista foi eleita com mais de 3 mil votos, sendo a sétima mais votada na cidade. De acordo com o Estadão, o caso está com a Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso (DPCAMI).

Após o sucesso no pleito, as redes sociais da petista foram invadidas e fotos e dados de sua biografia foram apagados. Ela ainda afirma ter sido alvo de comentários velados por um radialista da cidade. "Ele deixou bem claro que o meu mandato não é bem-vindo em Joinville".

Ana Luciana Martins é uma professora aposentada e defende bandeiras como as do movimento negro. "Sabia que não seria fácil. Estava ciente que enfrentaria uma certa resistência em uma cidade que elegeu apenas na segunda década do século 21 a primeira mulher negra. Só não esperava ataques tão violentos e com aval de parte de pessoas que se declaram 'profissionais da imprensa'", escreveu Ana nas suas redes sociais.

De acordo com o Estadão, pesquisadores dizem existir ao menos 69 células neonazistas de 340 espalhadas por todo o Brasil. Em outubro, Santa Catarina ganhou manchetes sobre o tema depois que Wandercy Antonio Pugliesi, candidato a vereador, retirou sua campanha na cidade de Pomerode após ser indificado como dono de uma casa que possuía com uma suástica estampada ao fundo de uma piscina.

Mais recentemente, a governadora interina, Daniela Rainehr (sem partido) relutou ao condenar alguns ideias defendidos por seu pai, um escritor de artigos de teor antissemita e pró-Alemanha nazista. Depois da repercussão negativa, ela afirmou ser “contrária ao nazismo".