Polícia investiga médico por assédio em clínica onde engenheira fez cirurgias plásticas antes de morrer

Médico é acusado de assédio em clínica onde Júlia passou por cirurgia antes de morrer - Foto: Reprodução/Redes Sociais
Médico é acusado de assédio em clínica onde Júlia passou por cirurgia antes de morrer - Foto: Reprodução/Redes Sociais
  • Cirurgião é investigado por assédio sexual contra uma funcionário em clínica de luxo de Belo Horizonte

  • A mulher afirma que foi constantemente assediada pelo médico durante o horário de trabalho

  • Foi nessa clínica que a engenheira Júlia Ferro passou por cirurgias antes de morrer esse mês

Um dos cirurgiões que atuam na clínica Sebastião Nelson, em Belo Horizonte, é investigado pela Polícia Civil por assédio sexual. Foi lá que a engenheira Júlia Moraes Ferro passou por operações estéticas antes de morrer, no início do mês.

De acordo com informações do G1, Nelson Edy Guerra é acusado de assediar uma ex-funcionária. O registro policial aconteceu em junho do ano passado.

A vítima, que não teve a identidade revelada, contou que foi contratada para ser assistente de outro médico, mas passou a sofrer com os assédios do cirurgião de 77 anos no dia em que começou a trabalhar no local.

"Os assédios, segundo foi relatado à autoridade policial, consistiam em abordagens, sinais, toques, que caracterizavam um assédio de cunho sexual, brincadeiras de cunho sexual, inclusive na presença de terceiros. Tudo isso está noticiado no inquérito policial", explicou ao G1 o advogado da mulher, Marcelo da Costa.

A vítima disse que era chamada por termos pejorativos pelo médico, que minimizava a situação. Os assédios pioraram depois que ela passou a trabalhar como sua assistente.

Em certa situação, segundo os relatos, o suspeito lhe fez gestos obscenos, simulando ato sexual, durante um procedimento cirúrgico.

Em outra, após uma cirurgia, Guerra teria aproveitado que os dois estavam sozinhos em um elevador para segurá-la pelo queixo e beijá-la sobre a máscara. “Isso não é assédio, é carinho”, disse ele na ocasião.

Depois deste episódio, a vítima não voltou mais ao trabalho. À polícia, ela contou que não consegue dormir e teme pela própria integridade física.

A Polícia Civil instaurou inquérito e está apurando os casos. A clínica afirmou que não tem “ciência de qualquer investigação”.

Morte de paciente

Foi na clínica Sebastião Nelson que Júlia Moraes Ferro colocou prótese de silicone nos seios e passou por lipoaspiração no abdômen no dia 8 de abril. Semanas depois, ela teve morte encefálica confirmada.

A engenheira de 29 anos foi submetida aos procedimentos e deixou o bloco cirúrgico seis horas depois, encaminhada ao quarto sentindo-se mal, segundo explicou a mãe, Patrícia Carneiro de Morais, ao R7.

De acordo com o G1, o médico responsável pelas cirurgias, Renato Nelson, chegou a tranquilizar a família, afirmando que Júlia passava bem, mas havia precisado de um processo de reanimação após perder a consciência.

Momentos depois, no entanto, a paciente precisou ser transferida para um hospital da região, onde permaneceu até o dia 10, quando foi levada para outro centro médico já com “quadro irreversível”.

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