Polícia investiga sargento após vídeo com ofensa racista e ameaça a mulher

·3 minuto de leitura
  • PM da reserva de SC será investigado pela prática de racismo

  • Em vídeo, o homem assume ser racista e diz que "não suporta negro"

  • Vídeo foi divulgado nas redes sociais e, com isso, foi aberto um inquérito pela Polícia Civil de Santa Catarina

A Polícia Civil de Santa Catarina abriu neste sábado (18) um inquérito para investigar um sargento da reserva da PM (Polícia Militar) flagrado falando ofensas raciais. Em vídeo, ele afirma que "não suporta negros" e ameaça agredir uma mulher. O caso aconteceu em São Ludgero (SC), a 182 km de Florianópolis.

De acordo com informações da Polícia Civil divulgadas pelo portal UOL, o sargento ainda será intimado e ouvido. Ele não se apresentou na delegacia para prestar esclarecimentos nem apontou advogado como defensor.

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O caso é apurado como crime de racismo. Em entrevista ao portal UOL, o delegado Éder Matte informou que a Polícia Civil tomou conhecimento do vídeo depois que mensagens de WhatsApp foram enviadas por moradores de São Ludgero. A vítima seria ex-mulher do sargento.

"O inquérito foi instaurado e estamos tentando mais detalhes. A princípio, essa mulher seria uma ex-companheira dele, que estamos tentando ouvir, até para dar um suporte, como um pedido de medida protetiva. O caso chegou até a gente pelas redes sociais. A comunidade ficou muito revoltada quando tomou proporções e comecei a receber as imagens dos próprios moradores", disse o delegado.

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Matte afirmou ainda que a mulher não registrou boletim de ocorrência, mas, como se trata de um caso de racismo, de acordo com o artigo 20 da Lei nº 7.716/1989, o inquérito não precisaria da manifestação inicial da vítima. No entanto, alega ter certeza de que o vídeo não foi feito nas últimas horas e, por isso, não haveria flagrante.

O artigo citado pelo delegado define como crime "praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional". A pena é reclusão de um a três anos e multa.

No vídeo, o PM fala com uma mulher, que grava o momento: "Teu filho é um maldito de um negro desgraçado, que é pirracento".

Em seguida, ela questiona porque ele tem ódio de "moreno". "Porque eu tenho ódio, porque eu sou racista, porque eu não suporto negro", assume. "Eu tenho amigo negro, mas amigo decente, não essa negrada do c..., que é marrento que nem tu."

A mulher, então, pede que o homem não bata ela. O homem tira o chinelo que está usando e ameaça a interlocutora. “Quer ver? Fala de novo. Fala de novo, sua macaca do c...”, diz, e joga o chinelo no chão.

Assista:

A PM de Santa Catarina confirmou que o homem é sargento da corporação e afirmou que ele está na reserva desde março de 2016. Em nota, a Polícia Militar catarinense ainda disse que “repudia toda e qualquer tipo de violência contra a mulher ou vulnerável, bem como qualquer tipo de racismo”.

“Todo policial militar, seja de ativa ou da reserva, deve seguir em conformidade com os dispositivos previstos no Regulamento Disciplinar da PMSC, Código Penal Militar e legislação penal geral. O caso identificado será encaminhado à Corregedoria-Geral da PMSC”, diz a corporação na nota. O nome do PM não foi divulgado.

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