Polícia investiga se Lázaro atuou com fazendeiros, empresários e políticos

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Lázaro Barbosa, 32 anos. Foto: Reprodução
Lázaro Barbosa, 32 anos. Foto: Reprodução
  • Delegada afirma que ele fazia parte de uma organização criminosa

  • Áudio em celular de fazendeiro mostra que ele teria escondido o fugitivo

  • Mesmo fazendeiro pode ser mandante da chacina de Ceilândia

Após a caçada de vinte dias por Lázaro Barbosa, de 32 anos, que acabou em sua morte pela polícia no dia 28 de junho, em Águas Lindas de Goiás, as investigações sobre as ações do assassino continuam.

Para a polícia, o criminoso não atuou sozinho. Ele provavelmente estava ligado a uma organização criminosa.

“Nessa organização criminosa, a gente já levantou que pessoas importantes participam dela. Nós temos empresários, fazendeiros, políticos”, contou a delegada Rafaela Azzi ao programa Fantástico, da TV Globo.

Entre os suspeitos está o fazendeiro Elmi Caetano, que teria escondido Lázaro em uma de suas chácaras durante alguns dias. A polícia encontrou uma mensagem de voz no celular de Caetano que dá indícios de que o fazendeiro escondia o fugitivo.

“Ele está dormindo lá naquele barraco onde a mãe dele morava”, dizia Elmi na gravação.

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A investigação avalia se Elmi Caetano pode ser o mandante da chacina em Ceilândia, no Distrito Federal, quando Lázaro assassinou quatro pessoas de uma mesma família. O fazendeiro Cláudio Vidal e os dois filhos, Gustavo e Carlos Eduardo, foram mortos com tiros e facadas nas terras da família, no dia 9 de junho. A mãe, a empresária Cleonice Marques de Andrade, foi feita refém e levada para um córrego, onde foi estuprada por Lázaro. Ela foi encontrada morta no dia 12 de junho.

“Considerando que havia um laço anterior, que o Lázaro já era conhecido do proprietário e que na entrevista o proprietário fala que aquela família devia um dinheiro a ele, nós não descartamos a hipótese de que ele tenha realmente usado Lázaro para cobrar a dívida, e em não recebendo, matar aquelas pessoas”, afirma a delegada Rafaela Azzi.

A polícia investiga também a viúva de Lázaro, Ellen Vieira, e sua ex-mulher, Luana Cristina, por terem supostamente auxiliado o fugitivo durante sua fuga.

A defesa de Elmi Caetano negou que o fazendeiro seja o mandante da chacina de Ceilândia. Seu advogado, Ilvan Barbosa, disse ao repórter Mohamed Saigg, em tom de ameaça, que no Brasil não há prisão perpétua, e que seu cliente sairia da cadeia. Perguntado se estava fazendo uma ameaça, o advogado disse que se tratava de um aviso.

Como o fazendeiro ajudou Lázaro?

O fugitivo fazia três refeições na fazendo, de acordo com o depoimento do caseiro Alain Reis de Santana, que ajudou a força-tarefa nas buscas ao criminoso Lázaro Barbosa, à investigação. Ele relatou que percebeu que faltava leite, havia copos sujos na pia e pão na mesa, sendo que ninguém dormia no local. Ele relatou também que ouviu o patrão chamar por Lázaro na hora do almoço e reparou que mais comida estava sendo preparada.

"Vem almoçar Lázaro", gritava o fazendeiro em direção à mata, conforme relatou o caseiro. O mesmo acontecia no período da noite e seu patrão gritava para a mata: “a porta vai ficar aberta”.

Lázaro dormiu no imóvel por pelo menos cinco dias, entre 18 e 23 de junho. O caseiro conta que percebeu que um colchão estava fora do lugar todos os dias. Ele ressalta que ninguém dormia na chácara normalmente.

Na tarde do dia 23 de junho, o fazendeiro foi além para proteger o fugitivo e impediu que uma equipe do Comando de Operação de Divisas da Polícia Militar (COD) entrasse na propriedade. De acordo com os agentes, eles foram tratados com hostilidade pelo dono do local. O advogado disse que ele teria feito isso para evitar fuga de animais.

O caseiro, no entanto, afirma que tinha ordens de não deixar a polícia entrar desde o dia 18.

Quando a polícia se aproximava do local, Lázaro se escondia em um depósito, onde ficavam equipamentos e uma máquina de cortar grama. No dia em que fazendeiro e caseiro foram presos, o funcionário da fazenda conta que viu Lázaro correr para dentro do depósito. O fugitivo fez um sinal para que ele saísse da residência. Lá fora, o caseiro viu os agentes de polícia. De acordo com ele, não denunciou o esconderijo de Lázaro por ter sido ameaçado de morte.

O major do COD afirma que o caseiro revelou que havia uma relação de proximidade entre o fazendeiro e a família de Lázaro. Ele teria dado auxílio à família quando o irmão de Lázaro morreu, além de já haver empregado a mãe e o tio do suspeito. Quando a polícia conseguiu entrar na chácara, viu o nome do tio de Lázaro escrito com tinta em uma parede.

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