RS: Polícia investiga possível tortura de suspeitos de roubar picanha em mercado

Câmeras flagram homem que furtou picanha sendo chutado por suspeito de tortura em supermercado do RS - Foto: Reprodução/RBS TV
Câmeras flagram homem que furtou picanha sendo chutado por suspeito de tortura em supermercado do RS - Foto: Reprodução/RBS TV

Sete pessoas estão sendo investigadas pela Polícia Civil de Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre, de terem torturado dois homens, após o furto de carne dentro do um supermercado do município. As informações são do portal G1.

Entre os envolvidos estão cinco seguranças, o gerente e o subgerente do estabelecimento.

De acordo com o delegado Robertho Peternelli, no dia 12 de outubro, a dupla teria furtado dois pacotes de picanha, que custam cerca de R$ 100 cada. Os dois homens, um deles negro, foram levados para o depósito do estabelecimento e espancados por cerca de 45 minutos.

A polícia teve conhecimento do caso, após um dos homens que sofreu as agressões ter dado entrada no Hospital de Pronto Socorro (HPS) de Porto Alegre com ferimentos graves. Ele tinha diversas fraturas no rosto e na cabeça e precisou ser colocado em coma induzido.

Um familiar da vítima contou para os policiais que o homem tinha sido espancado num supermercado em Canoas, a 20 quilômetros da Capital.

Por enquanto, a polícia identificou dois dos cinco seguranças envolvidos nas agressões, mas não divulgou os nomes deles.

O delegado do caso disse ainda que os homens só foram liberados pelos agressores, após pagar cerca de R$ 640.

"Os cinco seguranças e o gerente devem ser indiciados por tortura e ocultação das provas. O subgerente por tortura e omissão. A polícia investiga indícios de outro crime de extorsão mediante sequestro porque eles só foram liberados depois do pagamento de R$ 644 exigido pelos agressores", disse o delegado.

As agressões, segundo a polícia, foram gravadas por 31 câmeras de segurança que tem dentro do estabelecimento. No entanto, quando os agentes fizeram as buscas pelas imagens, perceberam que elas haviam sido deletadas. O delegado Peternelli apreendeu o equipamento de gravação, que foi encaminhado para a perícia.

Os arquivos foram recuperados pelo perito criminal Marcio Faccin do Instituto Geral de Perícias (IGP) do RS.

"Eu analisei alguns trechos até conseguir um instante em que tinha um evento que pareceu suspeito. Uma evidência de algo que a polícia estava buscando. Eles estavam tentando ocultar as provas. Eles acharam que tinham apagado, mas esses arquivos não são apagados desta forma", explica.

Segundo o delegado, as imagens mostram que foram 45 minutos de agressões violentas. De vez em quando, os suspeitos fotografavam as vítimas. Para a polícia, esse comportamento é uma espécie de tortura psicológica.

"Nós temos nesse primeiro momento a ideia da tortura, a tortura como forma de obtenção de provas. Eles buscaram os comparsas e eventualmente onde estavam os objetos de furto e também utilizaram essa tortura como forma de punição, naquele momento aplicando a sua pena a sua justiça privada", diz o delegado.

No fim das agressões, os cinco seguranças voltaram ao depósito e posaram para uma foto comemorativa, que foi tirada pelo gerente do supermercado.

Em nota, a rede Unisuper informou que "repudiamos veementemente qualquer ato de violência ou de violação dos Direitos Humanos" e que está "integralmente à disposição das autoridades para fornecer todas as informações solicitadas".

A empresa Glock, que presta serviço ao supermercado, disse em nota que só vai se manifestar em juízo. Os advogados do gerente Adriano Dias e do subgerente Jairo da Veiga, também disseram que só vão se manifestar em juízo.