Polícia Militar pune soldado gay por publicar vídeo sobre sexualidade: “Sem compostura”

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Henrique diz que está sendo perseguido por sua sexualidade - Foto: Reprodução/Instagram
Henrique diz que está sendo perseguido por sua sexualidade - Foto: Reprodução/Instagram
  • Henrique Harrison foi repreendido pela PM por vídeo no qual trata da homossexualidade em ambientes militares

  • Soldado já havia perdido o porte de arma por causa do mesmo vídeo

  • Henrique também já denunciou colegas por homofobia, após publicação de foto beijando seu companheiro

O soldado Henrique Harrison foi punido pela Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) pela publicação de um vídeo em seu canal no YouTube, no qual comenta sobre sua sexualidade. Homossexual assumido, ele foi repreendido pela corporação.

De acordo com informações do portal Metrópoles, Henrique recebeu repreensão por meio de uma nota oficial da PMDF, que baseou-a em dois artigos: o 40, que trata de “portar-se de maneira inconveniente ou sem compostura”, e o 59, sobre “discutir ou provocar discussão por qualquer veículo de comunicação, sobre assuntos políticos ou militares, exceto se devidamente autorizado”.

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No vídeo em questão, publicado em abril do ano passado e intitulado “ser policial gay é problema?”, Henrique Harrison comenta sobre diversas questões, entre elas, como a homossexualidade é tratada em ambientes militares.

Em fevereiro, o PM já havia sido punido pela corporação por conta do mesmo vídeo. Na ocasião, ele teve seu porte de arma retirado sob a justificativa de ter infringido o artigo 3 da Portaria, que trata de “portar arma de fogo institucional em atividade estranha ao serviço policial militar”.

Vídeo no YouTube causou nova punição a Henrique - Foto: Reprodução/YouTube
Vídeo no YouTube causou nova punição a Henrique - Foto: Reprodução/YouTube

Soldado denunciou homofobia de colegas

Henrique é um dos soldados alvos de homofobia de colegas por publicar foto beijando seu companheiro em uma festa da PM em janeiro de 2020. Ele revelou ter recebido mensagens ofensivas pelo Instagram e o WhatsApp.

Na época, o PM denunciou os agressores, o que fez com que 11 pessoas fossem indiciadas por homofobia, sendo seis policiais e um bombeiro. O caso segue em andamento.

“O Ministério Público fez denúncia contra quatro PMs pelo crime de homofobia. A CLDF [Câmara Legislativa do DF] pediu que fossem investigados pela PM, isso em 2020, esses procedimentos não andaram. Quando é comigo, eu perco a arma, sou punido em menos de dois meses e abrem sindicância por eu denunciar”, desabafou Henrique ao Metrópoles.

Afastado por depressão

Atualmente, o soldado está afastado da corporação com laudo psiquiátrico por causa de depressão e transtorno de ansiedade gerados pelos episódios. A cautela da arma lhe foi devolvida.

“Minha saúde foi embora por ser perseguido pela minha sexualidade. Lembrando que aqui estou falando como civil, não é assunto militar e nem político. É existencial”, comentou.

Em nota, a PMDF afirmou que “seguirá o devido processo legal dentro do arcabouço legislativo, respeitando sempre os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência”.

“Todo processo administrativo realizado pela Polícia Militar também seguirá os preceitos da ampla defesa e do contraditório. Todos os procedimentos ora citados, até o presente momento, não foram findados em suas decisões, não tendo, portanto, até a presente data, qualquer tipo de solução, seja ela publicada para punir, arquivar ou tombar em Inquérito Policial Militar”, completa.

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