Policiais confiam no processo eleitoral e defendem democracia, revela pesquisa

Forças de segurança apoiaram as manifestações pró Bolsonaro em 2021.
Forças de segurança apoiaram as manifestações pró Bolsonaro em 2021.

A grande maioria dos policiais brasileiros é a favor da democracia e acredita na legitimidade do processo eleitoral. Foi o que revelou uma pesquisa feita neste mês pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública com profissionais de todas as forças policiais.

O levantamento, intitulado “Policiais, Democracia e Direitos 2022”, mostra que 84,5% dos policiais preferem a democracia a qualquer outro regime de governo. O valor representa quase 10 pontos a mais do que o revelado pelo Datafolha, que entrevistou a população brasileira como um todo, também em agosto.

Os responsáveis pela pesquisa consideram que o dado expressa um quadro positivo em meio ao temor de golpe no Brasil e à proximidade das manifestações convocadas pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) para o dia 7 de setembro.

Em 2021, muitos policiais militares apoiaram às manifestações bolsonaristas no Dia da Independência o que gerou uma reação dos governadores, que tiveram de tomar medidas para controlar as tropas.

Na data do evento, porém, não houve problemas com os policiais, enquanto caminhoneiros tiveram uma postura agressiva, violando barreiras e ocupando a Esplanada dos Ministérios, em Brasília.

Para as manifestações deste ano, que Bolsonaro convocou principalmente para Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro, não há relatos, até o momento, de mobilização expressiva de profissionais da segurança pública.

“Chegamos a 80,9% respondendo que não aceitam ruptura por golpe. Essa informação é importante”, revelou ao portal Metrópoles, o presidente do Fórum Brasileiro de Segurança, Renato Sérgio de Lima.

Para Lima, porém, “não se pode baixar a guarda” já que o mesmo monitoramento indicou que entre 15% e 40% dos policiais que participaram podem ser categorizados como radicalizados ou potencialmente radicalizáveis. Esses agentes, não discordam ou relativizam um golpe de Estado.

Participaram da pesquisa 5.058 profissionais de todo o país. Segundo os autores do relatório, “a pesquisa não tem caráter probabilístico e não é estatisticamente representativa do universo de policiais brasileiros”, mas “permite uma visão bastante poderosa de como os profissionais da segurança pública estão dispostos a se posicionar no debate nacional”.